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jul 30

EDITORIAL DA SEMANA: CONVIVER E TOLERAR FAZ PARTE DO JOGO DA VIDA

AMAI-VOS UNS AOS OUTROS

O SACRIFÍCIO EM NOME DA FÉ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Até que ponto devemos fazer sacrifícios no curso da nossa existência terrena? E quando falamos em sacrifício, estamos nos referindo àqueles aos quais podemos, de forma livre e espontânea, livrar-nos ao nosso bel prazer. São sacrifícios, como por exemplo, ter de tolerar e conviver com pessoas muito próximas, ligadas a nós, muitas vezes, por laços sanguíneos e familiares e/ou conjugais. Claro, porque, por outras formas de sacrifício, ainda mais estando ao nosso dispor o livramento, nada justifica continuar no sofrimento. Mas, quando se trata daquele sacrifício dentro de casa, em uma convivência difícil com os pais, com os irmãos, com o cônjuge ou mesmo com os filhos, como fazer para continuar na luta, sem desistir?

Quando falo com alguém sobre esta questão, sempre é lançado o mesmo desafio: falar é fácil. Há pouco tempo disseram-me: queria ver se fosse com você! Alguém que, certamente, caindo, pensa que todos caem da mesma forma.

O problema não é saber como vou resolver ou enfrentar a questão, ou como posso sugerir a alguém a enfrentá-la. A situação envolvendo a convivência, principalmente, dentro de casa ou no núcleo familiar é por demais desafiante, porque, quase sempre, traz um componente incendiário: a falta de respeito entre os oponentes. E esta falta de respeito, não raro, descamba para o campo das acusações mútuas e, por fim, para a troca de ofensas, quando não, para as agressões físicas. A solução, para os estranhos, parece bastante simples: a fuga! A troca de ambiente. Entretanto, quando se fala da relação com pais idosos e dependentes, a coisa fica um pouco mais complicada. Quando se fala de uma relação conjugal, da qual existem filhos pequenos e muito dependentes do pai ou da mãe, tudo fica um pouco mais difícil. Muitas vezes, os filhos não são nem tão pequenos assim, mas nutrem uma inocente paixão pelo pai ou pela mãe, com tal intensidade, que a saída de um ou de outro pode transformar aquela vidinha iniciante numa vida dura demais para quem não fez por merecer. Dizem, os bravos e fortes, que filhos não seguram casamento. Esta afirmação nem sempre se sustenta, quando o coração fala mais alto e ainda não está comprometido da porta da casa para fora.

O fato é que “sair” nem sempre é a solução. Então, surge a pergunta: “Por que viver desta forma?” ou “ninguém merece passar por isso”, referindo-se a uma convivência conturbada. Humanamente falando, a questão é complexa mesmo e a gente sempre encontra mil razões para mandar tudo pelos ares e sair mundo afora. Não faltam os conselhos e os amigos de ocasião, sempre a darem o impulso que falta para uma decisão mais arrojada e rápida.

Ocorre que, o bom jogador conhece as regras e as técnicas do jogo e sabe que não pode abandonar o campo antes de ser substituído pelo Técnico ou, em último caso, expulso pelo Juiz da partida.

E, enquanto não é substituído ou expulso, sair de campo voluntariamente pode acarretar penalidades muito duras para a carreira de qualquer jogador. Penalidades que a própria vida impõe e cobrará de cada participante do grande jogo da vida. A solução adotada por muitos, e com resultados bastante positivos, utilizada pelos antigos e ainda pelas novas gerações, é a aceitação do jogo em nome da confiança depositada no Grande Técnico que, conhecendo perfeitamente cada um dos jogadores, escala cada um de nós para atuar enquanto for do agrado Dele. Esta confiança, também entendida como “fé” é uma das únicas armas que temos ao nosso dispor para lutar de forma intensa e permanente, unindo forças de todos os lados e buscando saídas e soluções práticas para o sistemático e ininterrupto enfrentamento.

Há que se ter em mente que, não havendo golpes baixos durante a partida, sendo a questão apenas de tolerância e de convivência, a fé e a devoção ao Técnico é bastante forte para sustentar desânimos, arrependimentos e desilusões. No entanto, com golpes baixos (agressões físicas e morais, traições e outros do gênero) é, realmente, difícil o permanecer em campo.

Fora desses extremos, mudar de ambiente significa, quase sempre, mudar de problema, simplesmente porque problemas perseguem os seres humanos que, por natureza somos problemáticos mesmo. Então, o que fazer? Parar, analisar todos os aspectos envolvidos e, em caso de fracasso de uma convivência pactuada em bons termos, tentar uma mudança unilateral de comportamento e de atuação. Em muitos casos, o cerne da questão está em nós, e não, nos outros. Então, por que não refletir sobre a própria forma de viver, de agir e de pensar? Por que não programar o início de uma alteração comportamental, na tentativa de facilitar toda uma transformação e, por fim, toda uma vida que, quase sempre, envolve outras pessoas? Até aqui, pode parecer fácil falar. Mas, alguém precisa falar e, espera-se, alguém haverá de ouvir.

A fé sempre traz consigo a obediência. A fé Naquele que tudo sabe e que tudo pode; obediência aos compromissos que assumimos uns para com os outros ou que, por meio das nossas ações, acabamos por envolver outras pessoas, como no caso dos nossos filhos que, sem pedirem, vieram para o nosso convívio graças aos atos que praticamos em nome de um “amor” que, impensado ou não, foi a desculpa que encontramos para gerá-los.

Por último, o seguimento à Palavra de Cristo: “quem não toma sua cruz e me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida perdê-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á” (Mt 10, 38-39). Assim, aceitar e conformar-se ao sacrifício por amor ao Cristo, tudo suportando em nome do único e verdadeiro amor, tendo na fé o fortíssimo escudo usado pelos verdadeiros e bravos guerreiros, faz de nós muito mais do que as simples fugas da vida podem fazer. Da batalha, o gosto da vitória, ainda que tardia. Da fuga, o gosto amargo da covardia e da sensação de uma falsa vitória. É muito fácil ganhar o jogo comprado. Difícil é vencer o duríssimo jogo da vida, brandindo as bandeiras da fé e do verdadeiro amor.

Este texto é, como todos os demais que escrevo, um chamamento à reflexão. Não se iluda, porque não escrevo para você. Caso alguma frase ou colocação sirva para a sua vida, tenha certeza, é mera coincidência porque escrevo para o meu site que, mensalmente, é acessado por mais de cinco mil pessoas. Seria vidência eu escrever pensado em você que, infelizmente, nem conheço! Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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