Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

out 02

EDITORIAL DA SEMANA: CAIR E LEVANTAR EXIGE SABEDORIA

silhouette of slacklinerPOR QUE CAÍMOS? –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A pergunta é feita pelo Sr. Wayne ao pequeno Bruce, no filme Batman Begins lançado em 2005 para mim, um marco na história do super-herói. À pergunta, vem a resposta pelo mesmo pai: caímos, Bruce, para aprendermos a levantar.

A resposta dada pelo Sr. Wayne ao filho, em um primeiro momento, pode parecer simplista, e até mesmo simplória. No entanto, ela é de uma profundidade muito grande, pois, quando caímos aprendemos muito mais do que voltar a ficar de pé.

Quando caímos, e falo por experiência, uma enxurrada de ensinamentos é lançada na nossa direção, a começar pela humildade. Caídos, e melhor ainda, quando de cara na lama, sentimos a sensação da impotência. No início, parece que podemos nos levantar imediatamente e dar a volta por cima. Porém, rapidamente percebemos que a queda foi forte, pois, caso contrário, não teríamos caído. É preciso humildade para reconhecer e admitir a queda!

Uma vez caídos e, em muitos casos, sem forças para o reerguimento, somos levados a buscar as razões da queda. Normalmente não assumimos qualquer espécie de culpa. Na grande maioria dos casos, colocamo-nos na condição de vítimas. Isso, para amortecer a duplicidade da dor: da queda e da culpa. Mas, não tem jeito, enquanto amealhamos forças, admitimos, ainda que pequena parcela de culpa. É preciso humildade para assumir responsabilidades!

Reconhecer a queda e assumir responsabilidades é o início do processo de soerguimento. Resta saber de que forma isso acontecerá. Normalmente precisamos receber auxílio externo, quando alguém da nossa confiança e com a necessária sinceridade, expõe diante de nós algumas opções, ou, em alguns casos, a única opção razoável. É preciso humildade para receber o auxílio e ouvir críticas!

Admitir a queda, assumir responsabilidades e aceitar auxílio significa o desenrolar do processo de levantamento. É a partir deste tripé que começamos a forçar a musculatura da alma para as primeiras tentativas de levantamento e aí, vem o segundo grande aprendizado: a tomada de consciência acerca da necessária sabedoria. É preciso agir com sabedoria!

O trabalho realizado pela humildade exige sabedoria para render frutos e dividendos. Sem a sabedoria, corremos dois riscos simultâneos: não conseguirmos nos levantar ou, o que não raro acontece, voltarmos a cair novamente em decorrência dos mesmos vícios e maus hábitos. Daí a importância da sabedoria, para ajustarmos as peças e calibrarmos o espírito para a necessária retomada. É preciso saber se levantar!

O resultado da soma das virtudes da humildade e da sabedoria permite que possamos nos soerguer de qualquer queda, desde que, por fim, admitamos que tais virtudes só chegam até nós e só se infiltram no mais profundo da nossa alma pela graça de Deus, que atua em cada um de nós como se fosse uma descarga elétrica de voltagem excessivamente alta. Ainda que não tenhamos fé; mesmo que acreditemos que só vencemos porque soubemos, ou tivemos a capacidade, para superar obstáculos com força e com garra; ainda assim, é Deus quem age. E, age porque, em algum momento depois da queda, nós, de alguma forma, acreditamos ser possível levantar e retornar ao status quo ante. É preciso abrir o coração! Deus não arromba corações, mas, entra e faz morada em todo e qualquer coração que esteja aberto. É necessário abrir o coração!

Tudo isto visto e refletido, permite-nos vislumbrar a argúcia do sr. Wayne ao perguntar, e ele mesmo oferecer a resposta: “Por que caímos, Bruce? Para aprendermos a levantar”.

Assim, parece bastante claro que, cair é normal; levantar é excepcional. Cair é ordinário; levantar é extraordinário. E é assim, porque exige aptidões que, se tivéssemos antes, não teríamos caído. Por não termos nada, caímos. Por adquirirmos virtudes conseguimos nos levantar para o prosseguimento na longa caminhada da vida. Caminhar é preciso!

Reflita sobre isto, reavalie as quedas pelas quais já passou, reflita sobre o modo como conseguiu se soerguer e, se possível, auxilie aos que estão em estado de queda. Talvez sua experiência possa ser bastante útil e eficaz. Seja feliz, e boa sorte!

______________________________________
*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: