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ago 07

EDITORIAL DA SEMANA: AS ILUSÕES DA VIDA

A FORÇA DO DINHEIRO

DIANTE DE TUDO, QUEM SOMOS NÓS?

*Por Luiz Antonio de Moura –

É interessante observar a imponência com que o ser humano gosta de se apresentar perante os mais diversos contextos sociais, na vã ilusão de estar, de algum modo, no comando absoluto, não do mundo, mas, do próprio destino, acreditando de forma convicta que, naquele cenário no qual está inserido, detém pleno domínio sobre tudo o que o cerca.

Quase sempre toda esta empáfia está ancorada no dinheiro, do qual sobrevêm poder e status e, com eles, fama, prestígio e muita bajulação. Com os dois primeiros atributos a pessoa já se coloca em posição de elevada importância e influência, assegurando presença certa em diversas instâncias negociais, sociais, políticas e eclesiais, de onde pode multiplicar o conjunto do patrimônio que ostenta.

Fama e prestígio decorrem da competência com que o abastado transita no meio de seus iguais, ou até mesmo, em muitos casos, seus superlativamente desiguais. Quer dizer: como se relaciona com aqueles que estão na mesma faixa do extrato social e com aqueles que se colocam em patamares mais elevados. A partir deste relacionamento e dos ganhos auferidos por todos, e sem causar prejuízos a ninguém, a pessoa caminha com certa tranquilidade e em posição de permanente ascensão.

A bajulação complementa o enfeite e, normalmente, provém das camadas imediatamente colocadas abaixo. Ou seja, aqueles que estão em um patamar social menos considerado e com pouca, ou nenhuma, força monetária ou financista, tendem a bajular (puxar o saco, em linguagem popular) aquele que desponta um pouco mais acima, fazendo com o bajulado atribua a si próprio uma performance excepcional, por meio da qual acredita sincera e convictamente, estar no auge, no comando, no domínio absoluto das situações que o cercam.

Esta lógica, embora possa parecer estar se referindo aos ricos, propriamente ditos, tem a ver com qualquer cadeia hierárquica: política, financeira, legislativa, judicial, social, eclesial e, até mesmo, criminosa. A história é sempre a mesma: dinheiro, poder, fama, prestígio e bajulação! Daí, da junção de todos estes componentes, nasce o orgulho, a arrogância, a prepotência, a soberba, a imponência e toda uma sub camada de atributos que fazem com que a pessoa se sinta única e capaz de derrotar qualquer adversário.

Surge, porém, uma desunião familiar promovida por uma traição entre os cônjuges ou pela entrada de um filho ou de uma filha no mundo complicado do vício ou do crime. A partida do marido ou da esposa para cama e braços estranhos, nem sempre é assimilada com a simplicidade mostrada na telinha da TV e, nestas ocasiões, dinheiro e status pouco resolvem. Aliás, são os primeiros a serem objetos de divisão. A descoberta sobre o trânsito de um filho ou de uma filha no mundo do vício, seja ele qual for, ou mesmo sobre o envolvimento com práticas criminosas que, não raro, aparecem nas telinhas das TVs, com cobertura proporcional ao prestígio e à fama do patriarca, é evento que nenhum dinheiro é capaz de ocultar, trazendo, portanto, e no mínimo, o desconforto da pessoa perante seus iguais e um certo constrangimento perante os que estão um pouco acima, no extrato social, que quase sempre se afastam das situações difíceis e comprometedoras.

Em tais circunstâncias, a bajulação é reduzida a telefonemas, e-mails e mensagens eletrônicas, mas, nada de encontros, abraços ou fotos em público.

Quando tais cenários não se apresentam, surge uma doença grave ou mesmo incurável, em cujo tratamento a fortuna vai sendo dissipada pouco a pouco, com resultados muito pequenos e quase imperceptíveis. Poder e status, fama e prestígio, bajulação e demais atributos vão sendo diluídos até se perderem totalmente, lançando o antigo rico e poderoso, famoso, prestigiado, bajulado e influente no fosso do esquecimento sendo-lhe reservado, apenas, um pequeno espaço nos jornais e revistas para a derradeira homenagem. Uma homenagem que, no fundo no fundo quer dizer: vai com Deus!

Não se iludam queridos leitores e leitoras: com raras exceções, é o que ocorre impreterivelmente com aqueles/aquelas que depositam sua confiança nas ilusões oferecidas por este mundo, que têm no dinheiro e nas armas os alicerces do poder. Sem um ou outro, ou sem ambos, não existe poder. Sem poder, não existem status, fama, prestígio e influência. E, sem nada disso, não existe bajulação. Estará o ser humano perdido, então, sem nada disto? A resposta é negativa. Porque, sem nada do que acima foi apresentado, o ser humano é verdadeiramente humano e, como tal, tem consciência de que tudo é efêmero e de que, no fim de todas as contas, o que conta realmente é a amizade desinteressada e fiel, o amor e a solidariedade, a compaixão, a partilha, o simples sorriso e a alegria de estar entre os iguais. O resto, ah, o resto é o resto.

Portanto, caso conheça alguém que vive escondido na floresta das ilusões perdidas, tente trazê-lo para a realidade. Caso não consiga, fuja para bem longe da tal floresta, se é que você pretende viver e morrer feliz e no meio de pessoas que realmente te amam, te respeitam e te consideram pelo você é, e não, pelo que ostenta perante o mundo. Pense sobre isto! Seja feliz, e boa sorte.

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*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio!

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