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nov 20

EDITORIAL DA SEMANA: AFASTE-SE DA HIPOCRISIA E DOS HIPÓCRITAS

HIPOCRISIA

A HIPOCRISIA É A MÃE DE TODOS OS FUNDAMENTALISMOS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A base da hipocrisia é a dissimulação dos sentimentos, e das práticas, mais comuns nos seres humanos quando, passar para o mundo exterior a posição defendida perante o público em geral, traz bônus e benefícios capazes de assegurarem a boa aceitação no seio de uma sociedade que, de uma maneira ou de outra, age da mesma forma. Daí a sinergia, por exemplo, entre autoridades, políticos, empresários e a mídia que, só divulga o que é do seu interesse e, por seu turno, as autoridades, os políticos e o empresariado, normalmente, dizem somente aquilo que agrada à grande mídia que, por sua vez, trata de projetá-los institucional, local, regional e nacionalmente. É um tremendo círculo vicioso que, infelizmente, contamina o cidadão comum e o faz agir da mesma forma no dia-a-dia da vida, tornando cada dia mais difícil a arregimentação de amigos de verdade, porque desconfiamos das intenções de quem caminha, às vezes durante anos, do nosso lado.

Contra esta hipocrisia que, apesar dos séculos e dos milênios, em nada difere dos tempos mais remotos da história da civilização, Jesus Cristo já se insurgia em relação aos fariseus que, apesar de serem como eram e de agirem como agiam, viviam nas praças públicas condenando quem praticasse qualquer boa ação em dia de sábado ou, como no caso da mulher adúltera, queriam apedrejar aquela que fora encontrada em adultério, afirmando estarem cumprindo a lei mosaica, da qual se diziam fieis cultores. Em tantas outras passagens os Evangelistas narram a impaciência de Jesus com aqueles homens que tinham-se em alta conta perante a sociedade de então.

O mundo de hoje, em pleno século XXI, em nada difere daqueles tempos. É do conhecimento público, até daqueles que não gostam de ouvir notícias, que os homens e as mulheres que exercem alguma forma de poder ou que detêm a primazia na formação da opinião alheia, falam em público tudo aquilo que, aparentemente, agrada à maioria da sociedade, mas, que, no entanto, no “escurinho do cinema”, fazem coisas do arco da velha! Estão aí, para quem quiser rememorar, as dezenas de investigações, colocando debaixo dos holofotes cabeças sobre as quais, em muitos casos, pouca gente acreditava  fosse possível pairar dúvidas quanto à moral, à ética e à fidelidade aos compromissos assumidos perante o público em geral. Pessoas que pedem “cadeia” para os ladrões, mas, que, de repente, são acusadas e condenadas por roubo; pedem severa punição para os corruptos, mas, que, não muito tarde, são pegas com as contas bancárias forradas de notas vindas da corrupção; pessoas que pregam a modernidade, mas, que, no “escondidinho dos seus escritórios e gabinetes”, atuam e articulam para a manutenção dos sistemas mais retrógrados possíveis, por meio dos quais auferem lucros exorbitantes; pessoas que, longe das câmeras da TV Central, sede social de todos os hipócritas, ajudam a destruir a economia e as finanças do país, mas, que, ao verem fotógrafos, cinegrafistas e jornalistas da Rede Mãe, pregam que a única salvação da economia nacional é uma profunda e inadiável reforma no sistema previdenciário, com a condenação de milhões de trabalhadores a doarem mais dez ou doze anos de suas vidas ao trabalho árduo, a fim de se evitar a “quebra” do país.

Sem falarmos sobre os que são, de forma veemente, contrários à pena de morte, mas, que, quando o tema é aborto, aprovam e lutam para assegurarem a morte de quem gostaria de nascer; dos que pedem severa punição para os criminosos, mas, que, na família, escodem a verdade sobre as atividades de alguns dos seus membros; pessoas que pregam contra a corrupção, mas, que, se receberem um afagozinho, vendem seu voto, furam filas e até pagam uma propinazinha para conseguirem certas vantagens sociais ou políticas.

Por trás de grandes pregadores da Palavra de Deus, sejam de que profissão de fé forem, encontramos os gananciosos, os avarentos, os exploradores, os adúlteros, os corruptos, os pedófilos e os violentos, sempre pregando de braço erguido para o Céu, condenando bravamente tudo aquilo que, na calada da noite, praticam sem o menor pudor, acreditando-se completamente ocultos.

Diante de tais, e tão poucos exemplos, podemos identificar a figura inconfundível do fundamentalismo religioso, social ou político, filho legítimo da hipocrisia. Por estas e por outras é que devemos, sempre, desconfiar bastante dos fundamentalistas porque, tal qual os fariseus da época de Jesus, defendem projetos, ideias ou doutrinas, mas, não saem ilesos de uma boa investigação, seja a que título for. São, como o próprio Cristo já dizia, sepulcros caiados: por fora, estão branquinhos e bem pintados, bem adornados e com aparência de limpeza e de pureza, mas, por dentro, cheios de podridão e de mau cheiro e quem for capaz de abrir a tampa principal, não resistirá ao forte odor exalado.

É preciso ter coragem para reproduzir, ao vivo e com todas as cores, tudo o que o coração está ditando, e não, ouvir uma coisa vinda do mais profundo do ser, e dizer outra, só para agradar à plateia ou a determinados personagens, em nome de uma maioria que só faz crescer a mediocridade, porque deixa de externar o que tem de melhor em si para, aparentemente, ficar do lado do “politicamente correto”, sem se dar conta de estar sendo vista por aqueles que, com maior e melhor visão, enxergam perfeitamente todos os passos que estão sendo dados pelos que só querem aplausos, títulos, câmeras e microfones. Que não se deixem enganar, estão sendo vistos, filmados e fotografados por câmeras invisíveis aos olhos dos enganadores, falsos, mentirosos e hipócritas que, por suas características, caminham de olhos vendados. Vistos e catalogados e, no momento oportuno, serão desmascarados pelos mesmos meios que, hoje, utilizam para externarem sua hipocrisia e sua mediocridade, apresentando-se como se fossem as maiores celebridades da modernidade além de, infelizmente, estarem sendo copiados diuturnamente por outros, menos avisados e menos sábios ainda, porque, quem copia o errado normalmente recebe outro adjetivo.

É preciso ter coragem para, dentro de casa, no escritório, nos gabinetes, nos locais de trabalho, na rua e, ao final, em todos os lugares e no trato com as mais diversas pessoas, agir de forma coerente com aquilo que, em público e diante da tal plateia e dos holofotes midiáticos, é falado e propagado como a expressão mais nítida do pensamento e do sentimento humanos, cuidando para não dizer e defender coisas que, na prática não são sustentadas. Vencer a hipocrisia é desafio para todos nós, durante todos os dias das nossas vidas!

Este texto é um convite à reflexão: será que não estamos sendo tão hipócritas quanto os hipócritas que nos cercam? Se a resposta for afirmativa, melhor repensarmos o nosso proceder, abandonando nossos fundamentalismos e parando de julgar severamente os nossos semelhantes, pois, assim, conforme assegurou Jesus, deixaremos, também, de ser julgados o que, ao final de todas as contas, já será um ganho e tanto, considerando o montante das nossas dívidas e dos nossos delitos perante o Criador. Reflita sobre isto e, se  julgar necessário, faça os devidos ajustes enquanto é tempo. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio.

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