Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

out 15

EDITORIAL DA SEMANA: A QUEM SERVIREMOS?

O POVO DE DEUS

SEREI O SEU POVO E ELE SERÁ O MEU DEUS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Quando falamos sobre povo, normalmente, referimos-nos “à sociedade”, como forma de abarcar todo um contingente populacional, com a diversidade cultural e cultual e com a multiplicidade racial, étnica, social e etária, que lhe são próprias. Enfim, por meio deste termo, referimos-nos a todo grupamento humano contido em determinada cidade, região ou país.

Entretanto, no meio deste imenso contingente humano, existe uma parte significativa de seres humanos que Deus reservou para si desde o princípio conhecido, tratando-o como “povo eleito”, “povo escolhido” ou, simplesmente, “povo de Deus” e fazendo com ele algumas Alianças. As mais antigas, descritas e desenvolvidas pelos patriarcas, pelos Juízes, pelos reis e pelos Profetas, conforme as narrativas do Antigo Testamento. A mais recente, e definitiva, é feita por meio do Verbo (Palavra) encarnado que, por ser o próprio Deus, é a Eterna Aliança. Seja no tocante às primeiras ou à última das Alianças, o plano de Deus é a salvação do seu povo. Povo que, se, inicialmente, era restrito a Israel, posteriormente, passou a ser formado por todos os seres humanos que aceitaram, ou que ainda aceitam, a Jesus Cristo como o Filho Unigênito de Deus, acolhendo a mensagem do Reino por Ele trazida e cumprindo os mandamentos que Ele, de modo enfático, afirma ter vindo dar cumprimento e aperfeiçoar.

Este é, mais ou menos, o retrato do que podemos denominar como “povo de Deus”. Não se trata de um povo qualquer, mas, de um povo com o qual Deus se envolve pessoalmente e com ele se relaciona de forma intensa e permanente, com ele se preocupando e a ele prestando todo o auxílio e a assistência necessária para a concretização da salvação, a partir da experiência da cruz.

Este povo seleto de Deus é descrito em todas as Sagradas Escrituras, do Antigo ao Novo Testamento, o que é fortemente testemunhado por meio dos Atos dos Apóstolos, sobre o qual alguém já disse que deveria chamar-se “Atos do Espírito Santo”, tamanha a ação do Espírito de Deus, e permeia todas as Cartas Apostólicas, culminando no Livro do Apocalipse de São João (cf. cartas às sete igrejas – Ap 2, 1-29.3, 1-22).

Portanto, estamos diante de duas realidades bem definidas: um povo santo e um Deus que caminha ao lado, e com este povo.

Por meio do Profeta Ezequiel, o Senhor promete um coração de carne e um espírito renovado à geração vinda do exílio e, já aí, afirma: “vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus”. “Farei” diz o Senhor “que andeis nos meus preceitos, que guardeis as minhas leis e que as pratiqueis. Purificar-vos-ei de todas as vossas imundícies” (Ez 36, 27-29).

Parece claro, portanto, que o Deus-Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) caminha com, e ao lado, do seu povo. Mas, que povo é este? É qualquer povo? É um povo que vive do jeito que entende ser o melhor para si e para a sua descendência? É um povo que presta culto a outros deuses? É um povo que viola o sagrado direito à vida, que pratica a injustiça e que é conivente com o mal praticado no mundo? É o povo inovador, que a cada dia joga as leis do Senhor no lixo da história e adota formas de vida que afrontam os ensinamentos de Deus? É o povo que, a exemplo dos hebreus recém-saídos do Egito, constrói bezerros de ouro todos os dias, para adorá-lo, incitando seus semelhantes a fazerem o mesmo? Para a tristeza de muitos, a resposta é sempre negativa. Em relação a este tipo de povo, Deus falará pela boca do Profeta Amós: “eu conheço as vossas muitas maldades e os vossos graves pecados; sois inimigos do justo, aceitais dádivas e oprimis os pobres à porta. Por isso o prudente se calará naquele tempo, porque é tempo mau” (Am 5, 12-13).

O povo escolhido pelo Senhor é aquele que é separado, como as ovelhas o são dos demais animais, porque, diz o Altíssimo: “Sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo e vos separei de todos os outros povos, para serdes meus” (Lv 20, 26) e, ainda, conforme dito por Moisés: “tu és um povo consagrado ao Senhor teu Deus. O Senhor teu Deus te escolheu para seres um povo particular, entre todos os povos que há na terra” (Dt 7, 6).

Portanto, o “povo de Deus”, o “povo eleito”, é aquele que trilha nos caminhos traçados pelo Senhor e não, um povo de nariz empinado que, nos moldes da atualidade, quer aposentar Deus, retirando-O do seu meio para poder caminhar segundo os seus próprios e tresloucados instintos.

Jesus, por sua vez, avançará ainda mais na relação entre Deus e seu povo, afirmando que: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada” (Jo 14, 23). E o Apóstolo Paulo, mais tarde, vai chamar a atenção dos cristãos de Corinto para a habitação do Espírito Santo, ao afirmar: “Porventura não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, não vos pertenceis a vós mesmos?” (ICor 6, 19-20).

Jesus adotou um critério bastante prático, embora radical, para resolver a questão latente no meio do povo escolhido: a fidelidade a Deus ou ao mundo. “Ninguém” disse Ele, “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou há de afeiçoar-se a um e desprezar o outro” (Mt 6, 24). Em resumo: ninguém pode amar a Deus e seguir o mundo, com os seus caprichos, modismos e todos os demais “ismos” que conhecemos muito bem. Ninguém pode agir assim, sem renegar um lado ou o outro!

E, ainda, para a tristeza de muitos, não basta apenas declarar afeto a um lado ou ao  outro, há que se entregar de forma integral porque, conforme é dito ao anjo da Igreja de Laodicéia: “conheço as tuas obras, que não és nem frio nem quente; oxalá foras frio ou quente; mas, porque és morno, nem frio nem quente, começar-te-ei a vomitar da minha boca (...)” (Ap 3, 15). Portanto, o povo de Deus, que não é definido por nenhum parâmetro quantitativo, deve assumir esta condição de forma integral, de todo o seu coração, com todo o seu entendimento e com toda a força da sua alma (Dt 6, 5-8) e aí, sim, Deus abraçará as suas causas, ouvirá, sim, o seu clamor, e sempre virá em seu socorro.

Dessa forma, e bem resumidamente, não existe fundamento para, como fazem alguns,  afirmar que Deus não se envolve nas questões e nos conflitos humanos, deixando ao homem o poder de decidir os rumos que pretende tomar, ainda mais, quando se trata da questão sob o aspecto coletivo que, necessariamente, envolve santos e pecadores, culpados e inocentes, bons e maus, joio e trigo.

O mundo no qual estamos inseridos, seja lá qual for o lado de filiação por nós escolhido, carece da presença de Deus e, para tanto, de orações constantes e permanentes para que o Senhor intervenha em favor dos que não têm voz, vez ou espaço, cujos clamores são lançados ao vento e, com ele, dissolvem no vazio do nada. Mas, não devemos nos iludir nem iludir os nossos semelhantes: se não caminharmos nos caminhos do Senhor, observando todos os seus preceitos, não seremos ouvidos e, assim, marcharemos cabisbaixos, embora empertigados, para a nossa própria ruína.

Deus, é Senhor absoluto da vida e se decidirmos abraçar a morte ou as teorias que a defendem, das formas mais diversas e diversificadas possíveis, estaremos esbofeteando a face do Criador. Ninguém, por exemplo, pode ser a favor do aborto e, ao mesmo tempo, contra a pena de morte (ou vice e versa), porque, em ambas as situações, a vida está sendo abatida por meio da intervenção e da força humanas. Ninguém pode defender os direitos humanos, sem abraçar  publicamente a causa dos que jazem nos corredores dos hospitais, sem socorro, ou, sem gritar para que os encarcerados tenham direito de cumprir a pena de forma dura, sim, como a lei exige (dura lex, sed lex), mas, digna, como o exigem, por exemplo, o humanismo e o cristianismo reinantes. Qualquer defensor da vida, em qualquer circunstância, deve abraçá-la, também, em qualquer circunstância. Não podemos abraçar um mal menor, para derrotarmos um mal maior. O mal é sempre o mal e quem o escolhe volta-se contra Deus. A escolha deve ser, sempre, sempre, o mal ou Deus, e Deus não compactua com o mal, em qualquer das suas formas. Não existe o meio termo!

No tempo em que vivemos, muitos desafios estão sendo postos à nossa frente. Entretanto, é sempre uma questão de escolha clara, concreta e transparente. Os desafios que nos são colocados devem ser enfrentados à luz da Palavra de Deus, e não, à luz da palavra dos hipócritas e dos demagogos de plantão, que, invariavelmente, possuem vínculos de sangue com alguns dos diversos sistemas de poder que existem no mundo. Sistemas cujos únicos objetivos são a dominação, a exploração e o enriquecimento. São sistemas de subjugação do povo que, em razão das necessidades essenciais para a sobrevivência, por conveniência ou ambição de natureza econômico-política ou, ainda, por mera boa-fé, aceita de bom grado tudo o que as correntes dominantes apresentam como sendo a “verdade”, esquecendo-se de que a verdade é uma só: Jesus Cristo (Jo 14, 6).

Assim, antes de abraçarmos as teorias políticas dominantes, e dominadoras, bem como as que querem alcançar tais patamares, sob os mais diversos matizes ideológicos, devemos abraçar a Palavra de Deus e o Evangelho de Jesus Cristo para, então, podermos bradar aos quatro ventos: “nós somos o seu povo, e Ele é o nosso Deus”, sem o que, permaneceremos na casa da escravidão por longo tempo ainda.

Como é praxe acontecer em nosso meio, e, principalmente nos dias que correm,  autores de textos como este são tachados de “ultraconservadores” ou de “extremistas da direita”, quando não, de coisas muito piores, mas, como discípulo, trago sempre no coração a palavra do Mestre “Se eles me perseguiram a mim, também vos hão de perseguir a vós; se eles guardaram a minha palavra, também hão de guardar a vossa. Mas tudo isso vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou” (Jo 15, 20-21).

Não permita que, do seu coração, sejam removidas as sementes da Palavra de Deus, semeadas pelo Criador, cuja finalidade é a salvação a que você tem direito como parte indissociável do povo santo e eleito, apesar dos pecados e das indignidades cometidas por todos nós. Confiemos no Senhor e a Ele entreguemos as nossas vidas, nosso futuro e o futuro do nosso povo e da nossa nação e Ele, certamente, atuará, como narrado no Livro do Êxodo (Êx 3, 7-8) e, ao ouvir o nosso clamor, descerá para libertar-nos do mal ao qual estamos sujeitos. Seja feliz, e boa sorte!

________________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: