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abr 23

EDITORIAL DA SEMANA: A PERDA DA ORIGINALIDADE DO SER HUMANO

PERDA DA ORIGINALIDADE

A PERDA DA ORIGINALIDADE POSSIBILITA O APARECIMENTO DE NOVOS PADRÕES –

*Por Luiz Antonio de Moura –

A originalidade é a marca primordial de qualquer criação. Por maior que possa ser a evolução, sempre recorre-se ao projeto original para não haver qualquer perda quanto à essência do que foi criado com objetivo definido.

Quando falamos em criação, originalidade, projeto e evolução, parece que estamos tratando de produtos ou bens materiais, propriamente ditos. No caso, não. No caso está-se a falar sobre o ser humano, este ser criado a partir do desejo e do projeto eterno de Deus que, no momento adequado, afirma: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1, 26).

Todo o trabalho de Deus, no processo da Criação, decorre de projeto previamente definido, tanto nas causas quanto nos efeitos e na finalidade. Portanto, cada um dos itens enumerados em todo o Capítulo 1 do Livro do Gênesis, faz parte do plano imutável de Deus, exceto um: a perda da originalidade do ser humano, ou, o esvaziamento do homem de todos os atributos que o assemelham ao Criador.

As aves que voavam, os peixes do mar, os animais selváticos e os animais domésticos, mantiveram a originalidade. As aves que voavam pelos céus, não perderam a capacidade de voo; os peixes não deixaram de viver submersamente nos rios e nos oceanos; os animais selváticos não estão dentro de casa, nem os de casa fugiram para a selva. O homem, porém...

O homem decidiu mudar. Mudar, aqui, não se refere à forma de vida ou aos meios de sobrevivência, mas, à própria essência, aos valores internos e externos; à originalidade da formatação da máquina humana. Nos dias que correm, vemos o ser humano, na tentativa de impor-se ao projeto de Deus, esforçando-se para mudar a originalidade do projeto humano, sem se importar com as consequências, sem se preocupar em aprimorar o conhecimento da íntegra do projeto para, então, depois, avaliar a possibilidade de modificações. Isso, aceitando-se pacificamente o fato de que Deus errou ou, no mínimo, não teve capacidade de prever o futuro da humanidade.

Essa questão, no entanto, não tem importância, dado que o próprio Deus dotou o ser humano com a razão, concedendo-lhe o direito da livre decisão e da livre escolha. O importante, aqui, é saber se o ser humano tem agido com sabedoria e inteligência, alterando o projeto humano original, ou, se apenas age para confrontar, e, até certo ponto, afrontar, o Criador.

Se pudermos avaliar que o ser humano tem agido com sabedoria e com inteligência, propondo e implementando alterações na originalidade do projeto divino, deixando claro, e evidente, que as versões mais atualizadas são dignas de esperança e de confiança, a raça humana tem muito a agradecer e a aplaudir esta iniciativa louvando, acima de tudo, e, sobretudo, ao próprio Deus, por ter dotado sua principal criatura de inteligência comparável à divina.

No entanto, se nossa avaliação for no sentido contrário, então, somos levados a concluir que o ser humano está rumando para a autodestruição, porque não parece inteligente a criatura afrontar o Criador, alterando de forma soberba, arrogante, mesquinha, inconsequente e irresponsável um projeto preparado por Deus desde toda a eternidade. O que está presente diante dos nossos olhos é uma verdadeira mudança de padrões.

Os resultados que vemos aí, no dia a dia, são bastante claros no sentido de revelarem o descalabro vivido pela espécie humana que, ao modificar, na essência, o projeto original sabiamente engendrado na prancha de Deus, expõe-se à mesma derrota já sofrida anteriormente, quando do pecado original, quando teve de esconder-se de Deus, por causa do fracasso vivido.

É preciso observar o curso do tempo, a força das palavras, a consequência dos atos e o caminho a ser percorrido, para podermos avaliar se o homem moderno está, ou não, caminhando em conjunto para o fim da própria espécie, ou seja, se está, ou não, na direção certa da extinção da raça.

Não é necessário entrar em detalhes ou em minucias, basta um olhar profundo e crítico para o avanço da humanidade, desde os tempos remotos sobre os quais recebemos algumas informações, para podermos observar, como dizem os mais antigos, “a que ponto chegamos”, e com eles repetirmos a pergunta: “aonde vamos parar”?

Tudo é válido, tudo é experiência, podem dizer alguns. É verdade! No entanto, precisamos indagar se vale a pena, por causa da experiência desejada e  imposta por uns, submeter toda a espécie às consequências decorrentes. E aqui, não se fala de simples consequências não. Fala-se sobre consequências nefastas, tanto nos aspectos sociais, morais, religiosos e familiares, quanto nos aspectos genéticos, biológicos e psíquicos mesmo. Fala-se sobre consequências potencialmente modificadoras de todo o DNA da espécie humana, com profundas, e quiçá irreparáveis, mudanças em toda a cadeia da criação, a partir de quando poderemos ter, sim, peixes subindo em árvores e aves nadando no fundo dos oceanos.

Precisamos deixar os teóricos da modernidade um pouco de lado e, de maneira séria e responsável reavaliar tudo o que está sendo proposto para este ser humano do século XXI, verificando até que ponto temos razões fundamentadas para apoiar ou rechaçar, se concluirmos que as pessoas estão sendo levadas no roldão da história.

A proposta é, como sempre, para a reflexão, pois, somente a partir dela é que teremos condições de, cada um no seu mais secreto íntimo, compartilhar, recusar ou denunciar tudo o que forças poderosas estão articulando contra a criatura e contra o próprio Criador. Reflita. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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