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jul 02

EDITORIAL DA SEMANA: A FORÇA DA TEOLOGIA NA MINHA VIDA

CHI e RHO

O QUE A TEOLOGIA ESTÁ FAZENDO COM A MINHA VIDA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É impressionante o que uma paixão pode produzir na vida das pessoas. E, quando falo sobre paixão e sobre as consequências, nada é excluído: paixão é paixão e pronto. O apaixonado fica bobo, subverte a ordem da própria vida, abandona outros projetos, vive extasiado, entrega-se ao objeto da paixão, enfim, sai do prumo e da linha.

Durante muitos anos mantive no segredo da alma, a paixão pelos bancos acadêmicos, lugar que, para mim, é o grande propulsor da intelectualidade com a qual o Senhor nos premia antes mesmo de produzirmos qualquer coisa. O Criador quer que cada um de nós, venha à luz com esta chama inflamada que, mais tarde, será intensificada no curso da vida e, lá pelos bancos acadêmicos, cada um vai depurá-la a seu modo, da melhor forma possível.

Comigo não foi, e não tem sido diferente. Primeiro, a vocação para o Direito; a doce paixão pela justiça; a coragem para defender pontos de vista e a determinação para estar sempre ao lado do injustiçado, seja ele quem for, tenha a vida que tiver. Uma vez injustiçado, sempre me posiciono em defesa dele. Mas, mesmo o gigantismo do direito, a partir de um determinado momento, permitiu que meu olhar ambicioso enxergasse no horizonte, ainda que muito distante, certo limite, e mais do que isso: permitiu-me ver o limite da interdependência entre as diversas especialidades do direito, como a que mostrar-me que, é possível, senão chegar a este limite, ao menos aproximar-me o máximo dele. Cansei-me ou me desiludi com o Direito? De forma alguma, é amor antigo que está no sangue, corre nas veias!

Entretanto, uma paixão antiga, adormecida no leito de algodão da alma e blindada pela força do Espírito, saiu do sono no qual estava mergulhada e levantou-se para a vida: o estudo da Teologia! Sempre, desde a juventude, acalentei o sonho de estudar Teologia, mesmo sem saber ao certo as dimensões que a envolvem. Mesmo desconhecendo a profundidade abismal que desafia o mergulhador acadêmico a lançar-se na direção da pesquisa, do aprendizado e da busca pelo conhecimento, navegando por águas complexas e misteriosas, procurando, em cada centímetro explorado, encontrar uma fagulha de luz disponibilizada pelo Espírito de Deus, pois, só assim é possível avançar.

Ao comentar com algumas pessoas, no final do ano de 2013, que estava me preparando para iniciar o curso de Teologia, vi caras de espanto e ouvi palavras de assombro. Das caras de espanto, percebi certo sentimento de piedade, como a dizerem: “coitado, está ficando louco” ou “será que não nada melhor para fazer?”. Das palavras de assombro, ouvi claramente alguns alertas como: “cuidado, ‘dizem’ que quem estuda teologia acaba ficando perturbado”; “dizem que o estudo da teologia leva à perda da fé”; “já ouvi dizerem que estudar teologia faz a pessoa ficar fanática”. Todos os alertas tinham em comum a mesma fonte: “dizem que...”.

Eu, obviamente, não dei ouvidos ao que “dizem” e parti para a realização daquele sonho antigo. E qual não foi a minha surpresa quando, já no primeiro semestre, no estudo da Patrologia, o professor apresentou uma bibliografia listada em mais de seis páginas! Levei um susto, pois, se para uma matéria apenas, existe uma bibliografia tão vasta, o que acontecerá com as outras matérias? Pois o susto só aumentou e as bibliografias foram ficando cada vez mais extensas, e cada autor indica outro tanto de fontes e assim sucessivamente, num crescente que parece não ter fim. Foi então que percebi que a Teologia, diferentemente do Direito, não permite enxergar qualquer limite, ainda que no horizonte mais longínquo a ser buscado pelos olhos humanos.

Toda paixão tem um tempo de maturação, ao fim do qual se transforma em amor ou em qualquer outro sentimento menos nobre. Minha paixão pela Teologia, de fato, amadureceu e transformou-se em amor. Um amor fecundo, de cuja relação nasceram alguns frutos, dentre os quais o primogênito é o “robustecimento da fé em Deus”. Tudo o que eu pensava que conhecia sobre Deus era infinitamente menor do que o que conheço hoje, que é infinitamente menor do que o que ainda estou para conhecer, que é infinitamente menor do que aquilo que o Senhor ainda vai me revelar quando estivermos juntos, face a face, no Reino que Ele preparou para todos os seus filhos e filhas. E é justamente esta infinitude, esta sensação de inalcançabilidade que faz com a Teologia seja tão fascinante, deixando sempre a impressão de que, por mais que eu corra, jamais cruzarei a linha de chegada. Nem eu, nem ninguém. Porque o mestre dos mestres, o tempo, não permite. Para alguns, isso pode ser motivo de desilusão e até de desânimo; para outros, como eu, isso é motivo de incentivo e de vontade de correr cada vez mais, mesmo sabendo que nunca cruzarei a linha de chegada.

Entretanto, existe um prêmio de consolação: após esta existência, o aprendizado sobre Deus continua, mas, então, não será mais como que em reflexo, como dizia o Apóstolo Paulo, mas, face a face, quando tudo será revelado por Aquele que é tudo em todos e que, sendo Aquele que é, como disse a Moisés, de tudo e em tudo nos fará partícipes por toda a eternidade.

Se eu pudesse, jamais induziria alguém a professar esta ou aquela fé, a pertencer a esta ou àquela religião, mas, induziria todas as pessoas a estudarem Teologia para que, como eu, pudessem sentir a felicidade que eu sinto e pudessem ter a esperança que eu tenho porque, esperança é mais do que vida, é para além da vida onde, paradoxalmente, ela morre e tudo, absolutamente tudo, é revelado tal como é, transformando imediatamente toda a esperança até então viva, na mais pura e cristalina realidade. Nada mais haverá para ser esperado, porque tudo o que é do Pai espera por todos nós e será concedido a todos nós que cremos, professamos e testemunhamos com a própria vida a crença que n’Ele depositamos.

A Teologia transformou a minha vida em uma vida, que não é mais de fé somente, mas, de profunda convicção. Não acredito mais que Deus está no meio de nós. Eu tenho absoluta convicção de que Ele está, sim, aqui, aí, lá, acolá e, enfim, em toda parte porque Deus é vida, é amor, é ar, é luz, é sentimento, é esperança, é tudo o que temos, somos e sentimos. Por esta razão, Ele habita no íntimo de cada um de nós e clama sem cessar pela nossa atenção, porque, mesmo sendo quem somos Ele confia em cada um de nós e espera que saibamos abrir as portas do nosso coração e as janelas do nosso espírito para fazer entrar a luz que vai iluminar as nossas vidas, numa preciosa antecipação do que ainda está por vir, após esta pobre existência.

E, vejam bem, ainda tenho um bom caminho para percorrer até a conclusão do curso. Faço uma ideia do quanto minha vida ainda está para ser iluminada!

Não posso mentir para você, leitor e leitora, pois, quero, sim, induzi-lo(a) a estudar a Teologia, independentemente da sua religião. Procure o líder da sua igreja ou da congregação religiosa a que pertence e informe-se sobre como fazer para ingressar em um bom curso de Teologia. Mas, cuidado, procure um bom Curso de Teologia, registrado no MEC e reconhecido pelos meios acadêmicos idôneos, para que você não seja presa fácil de aproveitadores, de hereges e de falsos profetas, o que seria um verdadeiro dano para a sua vida.

Se te ajudar, deixo aqui este testemunho sobre o que a Teologia fez com a minha vida e como transformou-a para sempre. Fica, além do testemunho, o convite e a plena convicção de que estou partilhando um tesouro com você.  Um tesouro tão imenso que o Senhor não quer que eu me apodere dele sozinho, mas, que o divida com todos os irmãos e irmãs. Está partilhado com você, só depende da sua atitude. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é estudante de Teologia no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

       

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