Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

«

»

ago 06

EDITORIAL DA SEMANA: A FORÇA DA ESPIRITUALIDADE

Respect and praying on nature background

UMA ESPIRITUALIDADE VOLTADA PARA DEUS E PARA A VIDA –

*Por Luiz Antonio de Moura –

O tema da espiritualidade é sempre atual e presente em diversas rodas de conversas entre pessoas que ocupam o tempo para tratar das coisas que realmente são relevantes na vida. E a importância do assunto supera a mera, e cansativa, discussão religiosa que, normalmente, além de não chegar a lugar algum, cria certo clima de animosidade entre as pessoas que, incautas, permitem-se envolver no que, de início, parece ser um bate-papo saudável.

É crescente a percepção de que, atualmente, as pessoas não querem, em larga maioria, estar vinculadas ao seguimento religioso. E isto ocorre por diversas razões que, aqui, não devem ser apresentadas para não desviar o foco do tema central. O fato é que a religiosidade que conhecemos no passado recente, gostemos ou não, está em baixa.

De outro lado, é visível, também, a crescente procura por uma forma de vida mais voltada para a espiritualidade, na qual as pessoas sintam-se mais confortadas em espírito e, ao mesmo tempo, com a necessidade de repassar as sensações percebidas para outros seres humanos, próximos ou distantes. A justificativa para tal receptividade é bastante interessante: o ser humano não precisa da religião para viver, mas, precisa e sente muita falta do calor espiritual. Do aconchego de Deus; da Luz que vem do Espírito; da voz que fala à alma e do bálsamo da paz. Momentos desfrutados, principalmente, por quem, despojado de toda forma de interesse e de regras, entrega-se ao deleite espiritual, falando e ouvindo com Aquele que jamais abandona o ser humano: o Deus Criador e Senhor absoluto de todas as almas e de todos os espíritos. É Ele que vem ao encontro de todos e de cada um de nós, sempre e cada vez mais, para renovar o convite para a caminhada rumo à eternidade. É Dele que vem a proposta para o retorno à casa do Pai e a promessa de vida em abundância. É Ele quem trouxe, e traz sempre, a possibilidade de salvação para o ser humano afastado e “perdido” em meio ao emaranhado de caminhos indicados para o acesso ao Céu.

Os homens e as mulheres deste século XXI estão marchando, lenta e progressivamente, na direção de uma espiritualidade cada vez mais rica e mais promissora, que os leva a perceberem que nem tudo está dito, e que, mesmo o que é dito, é incompleto e carente de originalidade. Os seres humanos deste tempo, assim como os que estão a caminho, percebem que o mundo é apenas um trampolim para algo muito maior e muito mais intenso do que tudo o que é visto e sentido e, principalmente, pelo que é ensinado como “verdade absoluta”. É na prática de uma espiritualidade – esta sim, original – que os seres humanos encontram-se a si próprios e revelam-se uns para os outros no acolhimento, no carinho, na doação, na caridade, no cuidado e na imitação Daquele que é, e que sempre será, o caminho, a verdade e a vida: Jesus Cristo.

O relógio do tempo não para, entretanto, ele não permite que no coração dos seres verdadeiramente humanos seja apagada a imagem de Deus gravada desde toda a eternidade em cada um de nós. Ele não permite que nos esqueçamos Daquele de onde provém toda a vida e ele não apaga a memória que trazemos da vida antes da vida, assim como não nos afasta do sonho e da esperança da vida após a vida. Tudo isso, todas estas sensações e percepções só são possíveis graças a uma espiritualidade que germina, cresce e produz frutos para muito além das portas institucionais, regidas por normas que colocam os seres humanos muito mais diante de um sistema codificado do que de um Pai que nos ama infinitamente e que espera ansiosamente que cada um de nós faça, refaça e renove a cada dia o diálogo, a vivência e a experiência com Ele.

Não são poucas as pessoas que fizeram, e que fazem, a experiência de uma espiritualidade orientada para o diálogo franco, aberto e permanente com Deus e com os seres espirituais, ou seja, com os anjos, os arcanjos, os serafins e com todos aqueles que tomam assento no Reino dos Céus.

Da mesma forma, são inúmeros os seres humanos envolvidos e seriamente comprometidos com a teologia da vida, com toda a pujança que o termo merece. A vida que brota nas profundezas dos oceanos, nas entranhas das imensas formações rochosas, no cume das montanhas, nas nascentes dos grandes rios, cachoeiras e quedas d’água. A vida que germina no ventre de todas as fêmeas e que explode para o mundo, renovando eras e gerações desde o surgimento de todas as espécies.

É o culto à vida, vinda de Deus e para Ele retornada, que move o coração e a ação de grande parte dos seres humanos desta era que estamos presenciando. Culto que enaltece o Espírito criador e renovador; que louva em espírito o nome de Deus e do seu Filho libertador, e culto que cuida da criação com amor e devoção, por ter origem na sincera preocupação de homens e de mulheres, com o futuro da nave mãe: a terra.

A espiritualidade experimentada nestes tempos renovados pelo Espírito, traz para nós todos o sentimento de ligação e de vinculação entre tudo e todos, inclusive, com o meio ambiente que tanto carece de cuidado, frente ao forte e desumano desenrolar de um capitalismo sem limites e sem fronteiras.

Olhar para a vida, com todas as suas vicissitudes, apreciá-la e dela cuidar com carinho e apreço, desde a necessária e importante prevenção das doenças do corpo e da alma até a própria vida do planeta, é praticar uma espiritualidade totalmente devotada a Deus, que é o autor deste verdadeiro tesouro do qual participamos, aqui e depois. A vida que ora experimentamos não é uma vida finita, que acaba com a morte do corpo, mas, uma vida transitória, que apenas passa deste plano terreno para um outro plano, do qual procedemos e para o qual haveremos de retornar.

A orientação espiritual que devemos seguir é, e sempre deverá ser, aquela descrita nas Sagradas Escrituras, por meio das quais o Senhor nos convida, pela boca do salmista a entoar cânticos de louvor e a cantar salmos “ao nosso Deus ao som da cítara” (Sl 146) porque, segundo o mesmo salmista, o Senhor “sara os atribulados de coração e liga as suas chagas. Fixa a multidão das estrelas, e as chama todas pelos seus nomes. Ampara os humildes, e abate os pecadores até a terra. Cobre o céu de nuvens, e prepara chuva para a terra, para produção da erva que alimenta os homens, dando também aos animais o seu alimento próprio, e aos filhotes dos corvos o que pedem” (Idem).

A este Senhor e Deus, devemos louvar em espírito, pois, conforme ensinado por Jesus, “Deus é espírito e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram” (Jo 4, 24).

É esta espiritualidade, totalmente focada no Criador e mantenedor da vida, que estamos tendentes a praticar, em detrimento do mero seguimento de normatizações e de codificações que mais engessam do que libertam o espírito humano. Uma espiritualidade de vida, de louvor, de crescimento e de preparação para a longa caminhada começada neste plano e continuada na etapa seguinte a esta existência. Eis a reflexão proposta, faça-a com o coração e com o espírito totalmente voltados para dentro e para o Alto. Seja feliz, e boa sorte!

__________________________________________

*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Apoio: