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dez 19

CONVITE À REFLEXÃO: VOCÊ USA MÁSCARAS?

MÁSCARAS

O DELIBERADO USO DE MÁSCARAS: PERDA DA ORIGINALIDADE –

*Por Luiz Antonio de Moura – 

Existem algumas questões envolvendo os seres humanos, nós todos, portanto, que chamam a atenção para a prática de atos, ou até mesmo para as formas de vida adotadas, parecendo-nos, em muitos casos, estarmos vivendo ao lado de seres de outros planetas, de outras galáxias!

Quantas vezes não nos interrogamos acerca dos porquês, das razões que levam estes ou aqueles a agirem da forma que agem ou a praticarem os atos que praticam? Em quantas oportunidades não nos decepcionamos com a forma com que pessoas conhecidas ou muito próximas, parentes mesmo, agem na vida e na relação com os demais semelhantes? E quanto a nós mesmos: quantas atitudes tomamos que, mais tarde, ao olharmos para trás, questionamos as razões que nos levaram a agir de tal ou qual forma?

Estas questões podem parecer simples, de fácil compreensão, quando nos valemos da vala comum do “somos humanos”, de “matéria frágil” ou mesmo do “todo mundo tem defeitos” ou, ainda, “o ser humano é complexo mesmo” e por aí vai. Na verdade, o que se percebe de forma bastante clara e evidente, é que, sabendo-nos propensos aos mesmos erros e acertos uns dos outros, procuramos adotar procedimentos defensivos que, a qualquer momento e em qualquer circunstância, podem socorrer também a nós.

Entretanto, algumas reflexões impõem-se pela necessidade de tentarmos compreender um pouco mais as razões que afastam-nos das nossas próprias origens. Somos nascidos em condições bastante favoráveis para uma vida simples, humilde e plenamente capaz de possibilitar-nos uma convivência humanizada com todos os nossos semelhantes. Temos, em acréscimo, e para os que creem, uma origem primitiva divina, donde trazemos em nosso DNA espiritual a imagem e a semelhança do Criador. Então, é de se questionar: o que ocorre conosco que, não muitos anos depois do jubiloso nascimento, estamos total, absolutamente, e muitas vezes absurdamente, mudados?

Não existem respostas fáceis e definitivas, quando assunto é o ser humano. Existem, no entanto, possibilidades. Umas, absurdas e sem qualquer conexão com a realidade e, outras, no entanto, mais razoáveis e, portanto, mais plausíveis.

Nossos irmãos gregos (os da antiguidade) criaram para si e para a cultura então vivida, o valioso instrumento da máscara. Peça utilizada nas celebrações devotadas ao deus grego do vinho, da festa e da fecundidade, Dionísio que, na mitologia romana é conhecido como Baco. Por meio de tais instrumentos, devidamente colocados à frente do rosto, transformando toda a aparência facial, eram produzidas peças teatrais envolvendo a tragédia ou a comédia. Por trás da máscara, uma pessoa comum, que nada tinha a ver com o representado. A máscara, no entanto, dava o tom daquele que estava sendo trazido a público para ser conhecido e traduzido em toda a sua pujança, para o bem, para o mal ou mesmo para a diversão e a alegria, sem revelar, de forma alguma, a verdadeira identidade da “persona” que a ostentava.

Se fizermos uma pequena, mas significativa, comparação com o que vivemos nos dias que correm, chegaremos à conclusão de que o ser humano de hoje vale-se do mesmo instrumento, com uma pequena diferença: hoje, a máscara é interna. Não mais esconde o rosto físico, mas, o psíquico. Assim, vamos encontrar pessoas, conhecidas nossas. Bastante conhecidas. Pessoas que conhecemos, às vezes, desde que nasceram, mas, que, infelizmente, pelas máscaras psíquicas que adotaram para as suas vidas, não conseguimos mais identifica-las com aquelas com as quais, no passado, tínhamos ou mantínhamos uma relação tão frutífera, tão saudável e tão promissora. Aqui, lamentavelmente, estamos falando da quase totalidade da humanidade.

Pessoas que, por razões diversas e muitas vezes desconhecidas, adotam as máscaras da seriedade. Uma seriedade que não ostentavam na juventude. Eram alegres, brincalhonas, acessíveis mas que, agora, são sérias, mal humoradas, fechadas em si e indispostas para o diálogo.

Pessoas que adotaram a máscara do poder. Em razão de um cargo ou de uma função pública de relevo, acreditam-se superiores a todos os demais seres humanos. Acreditam piamente serem dotadas de potencial decisório, com carga suficiente para explodir tudo à sua volta, num simples piscar d’olhos. A máscara do poder decorre, também, e em muitos casos, do acesso fácil ao dinheiro e à riqueza, assim como do acúmulo de patrimônio. Aquele ou aquela que detém os cofres bancários cheios de grana ou d’outra forma, possuem patrimônio vistoso, acreditam “poderem” absolutamente tudo e, por conseguinte, nada temem – nem a justiça divina, nem a dos homens!

Pessoas que adotam as máscaras do conhecimento, em razão do grau acadêmico que obtiveram, dos cursos dos quais participaram nas mais diversas universidades e centros acadêmicos do mundo contemporâneo. Outras, sem qualquer reconhecimento da realidade na qual estão mergulhadas, não têm muito o que ostentar, mas, ainda assim, querem aparecer para o mundo exterior como profundas conhecedoras de todo o universo científico que gira ao redor de si.

Há que  se recordar, ainda, das máscaras da santidade, da bondade e da caridade, da benevolência, da mansidão, da justiça social, da ética, do respeito aos direitos alheios, da humildade e da simplicidade. Das máscaras da democracia, do perdão, da fé, da vida em comunidade. Enfim, diversas máscaras adotadas pelos seres humanos, utilizadas com a finalidade de aparecerem diante dos mascarados da plateia, de uma forma totalmente falsa, farsante e fraudulenta, com o propósito de serem ao mesmo tempo, confusos e confundidos.

Máscaras que fazem-nos totalmente diferentes daquilo que, realmente, somos desde a origem, retirando de nós a capacidade de sermos simples, humildes, pacíficos, risonhos, abertos, alegres e espontâneos como as crianças. Máscaras que rasgam a nossa inocência espiritual, levando-nos à descrença em tudo e em todos; que rompem com o sentido do perdão, fazendo-nos buscadores da vingança, legal ou pessoal; que aniquilam o sentimento original do amor, dando lugar à paixão e ao ódio; que impedem o convívio com os nossos iguais sem qualquer forma de discriminação, levando-nos a segregar, a sectarizar ou mesmo ao mais profundo isolamento. Máscaras que adotamos a partir de certo momento da vida e que, depois, acreditamos delas não termos mais condições de libertar-nos, por causa da sobre máscara do orgulho, da arrogância e da prepotência. Máscaras, máscaras e máscaras que arrebatam-nos das nossas origens e que nos arremessam para o mundo irreal da imortalidade, da eterna juventude, da onipotência humana, da ilimitada capacidade de ação e do pior de tudo, da total desconsideração para com o infalível relógio do tempo.

Todas estas máscaras, e mais algumas que podem ter ficado de fora, são as responsáveis diretas pela maioria das angústias por nós vividas. São elas que nos afastam do colo de Jesus, que acolhia com amor indizível a todas as criancinhas, e que fazem de nós os algozes do próprio Filho de Deus que, no Calvário, viu-se diante de turba furiosa e sedenta de sangue e de dor que, pouco depois, percebeu o erro cometido – “na verdade este homem era justo” (Lc 23, 47).

Por fim, muitas e muitas histórias têm final feliz. São incontáveis os casos de queda ou de retirada das máscaras que, quando acontece, trazem paz, felicidade e completude para as, até então, vítimas de um teatro que, embora não sendo grego, é repleto de tragédia. Quando caem as máscaras que, como visto, hoje são psíquicas, sobressai o ser humano real, íntegro e plenamente capaz de ser reconhecido como imagem e semelhança do Criador. Um ser humano não mais parecido com o representado, mas, identificado com o realisticamente projetado por Deus para, no futuro, viver com e como Deus.

A sugestão é para que identifique a máscara que usa diante do mundo e das pessoas e, caso queira fazer uma experiência nova de vida, uma experiência promissora e avassaladora, retire e lance para longe de si tal máscara, e verá como tudo será muito diferente a partir de então. O tempo é sempre propício. Seja feliz, e boa sorte!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio.

 

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