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mar 30

COM JESUS, MARIA TAMBÉM MORRE AOS PÉS DA CRUZ

MARIA AOS PÉS DA CRUZ

MARIA MORRE COM JESUS NA MESMA CRUZ –

*Por Luiz Antonio de Moura –

É por demais conhecida a trajetória de Jesus, desde o Horto das Oliveiras até o Calvário, ponto final da saga sangrenta a que foi submetido o Filho de Deus.

Embora não seja tão conhecida a trajetória de Jesus de Nazaré, desde a infância até a entrada na vida pública, lá por volta dos trinta anos de idade, conhecemos, pelo menos, alguns poucos detalhes da vida Dele, como por exemplo, os atos relativos ao nascimento, à purificação no Templo e à apresentação diante dos doutores da Lei, quando tinha doze anos.

Apesar da pouca informação acerca dos detalhes da caminhada de Jesus ao longo de toda a sua vida, um fato é inegável: Maria esteve presente desde a concepção até o sepultamento. E este não é um fato qualquer, é um fato de suma importância porque, por ele, vamos perceber que Maria nasce com o filho e, igualmente, morre com ele, apesar de um estar no alto e da outra estar aos pés da cruz. É inegável que uma mãe, qualquer mãe minimamente amorosa, sofre as mesmas dores impostas aos filhos e, quando ocorre uma morte, morre junto.

Maria fez mais. Maria não apenas esteve com Ele totalmente ligado a si, desde a concepção, como, também, andou, conversou, riu, ajudou, ensinou coisas que aquele menino-jovem-homem não sabia acerca da vida, das Escrituras e da fé judaica. Ela, literalmente, caminhou com Ele e ao lado Dele.

Embora os Evangelistas não entrem em detalhes sobre a constante presença de Maria ao lado Daquele precioso filho, parece evidente que ela sempre esteve por perto, senão colaborando, pelo menos, observando, afinal, diz o evangelista São Lucas: "ela conservava todas as coisas em seu coração" (Lc 2, 19).

Um dos momentos marcantes da presença de Maria ocorre na famosa festa de Caná da Galileia, onde ambos, mãe e filho, cada qual do seu lado, já que Ele cumpria sua jornada pública, comparecem àquela cerimônia matrimonial. Em dado momento, Maria percebe a aflição dos noivos com a possível falta do vinho e, sem perder tempo, vai até Jesus: “Eles não têm mais vinho”. Jesus mostra-se indiferente e contraria a mãe dizendo: “Mulher, que temos, eu e tu, a ver com isso?”, como quem diz: estamos aqui como convidados, não somos os donos da festa.

Maria, no entanto, conhece perfeitamente aquela personalidade. Conviveu com Ela durante trinta anos. Viu o tamanho imensurável daquele coração e sabia perfeitamente que Ele estava, sim, preocupado com a aflição dos noivos, mas, que, dadas as circunstâncias, preferiu não dar muita atenção. Sem rebater ou mesmo debater com Jesus, Maria afasta-se e, junto aos serviçais, diz: “Façam tudo o que vos disser”. E daí, então, o milagre da transformação da água em vinho.

No entanto, a caminhada para o Calvário foi a mais sofrida para ambos: Jesus, de um lado, sentindo na própria carne as dores da mentira, da traição, da injustiça, do abandono, do desrespeito, da ingratidão, da inveja e dos ferimentos causados pelo brutal espancamento, sem falar na dolorosa coroa de espinhos. De outro lado, Maria, amargando as dores da profunda tristeza, do abandono, da solidão do espírito e da impotência diante daquele poderio bélico-humano que se abateu pesadamente sobre o seu tão amado filho. Filho que ela recebeu como uma dádiva de Deus e que agora, devolvia para o mesmo Deus, aos trapos.

Na cruz, um Jesus já quase fora de si, prestes à perda total dos sentidos e da própria vida, balbuciava algumas poucas palavras sem, no entanto, deixar de se preocupar com aquela doce e querida mãe, entregando-a aos cuidados do discípulo amado.

Aos pés da cruz, Maria derretia-se em lágrimas, sem esboçar nenhum drama, nenhuma revolta, nenhum desejo de vingança. Nada de gritos histéricos ou escandalosos. Apenas permitia que as lágrimas descessem rosto abaixo, abraçada por pessoas amigas, para as quais ela nada tinha a dizer e nada conseguia ouvir daquilo que diziam para ela.

No momento fatal, Jesus diz: “Tudo está consumado” e, ao inclinar a cabeça e render o espírito, conforme narra o Evangelista João (Jo 19, 30), Maria sente a espada predita por Simeão (Lc 2, 35) trespassar a sua alma, rasgando-a cruelmente. Ali, naquele exato momento, ela morria em espírito junto com o filho.

O que parecia um trágico fim para aqueles dois personagens sagrados e consagrados na história da salvação, torna-se luz, vida e exemplo para incontáveis fieis mundo afora e, até os dias de hoje, vinte e um séculos depois, ainda recordamos, de uma forma ou de outra, toda a trajetória da Virgem de Nazaré e do seu mais precioso filho, Jesus que, sendo filho do Altíssimo, conforme previra o anjo na noite da anunciação, dela herdou o gene da humanidade, tornando-se o Filho do Homem. Perfeitamente Deus, mas, também, perfeitamente humano.

Diante de tudo isto, Maria e Jesus estão eternamente vinculados um ao outro, de modo que, onde estiver o filho, aí estará, também, a mãe que, afinal, jamais saiu de perto Dele, e assim será para todo o sempre. Amém!

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*Luiz Antonio de Moura é um pensador espiritualista, um caminhante e um cultor do silêncio

     

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