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Sementes da Palavra, É tempo de semear

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nov 27

A SALVAÇÃO ESTÁ MAIS PERTO DE NÓS

advento-4

1º DOMINGO DO ADVENTO – FICAI ATENTOS E PREPARADOS –

* Por Frei Ludovico Garmus, ofm –

Oração: Concedei-nos o ardente desejo de possuir o reino celeste, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem.

1. Primeira leitura: Is 2,1-5

O Senhor reúne todas as nações para a paz eterna do Reino.

Este pequeno oráculo teria sido pronunciado pelo profeta Isaías em momento de grave crise. Percebe-se a gravidade da crise política, social e religiosa já no primeiro capítulo. Jerusalém está cercada pelas tropas da Assíria (Is 1,2-9); Deus rejeita os sacrifícios do culto oficial, pois quem os oferece tem as “mãos cheias de sangue”, assassinatos, violência, injustiça e corrupção (v. 10-15). Isaías repreende e ameaça os chefes e juízes, exortando-os a deixar de fazer o mal e começar a fazer o bem. Mas, ao mesmo tempo, espera uma intervenção salvadora de Deus, para que Jerusalém, infiel e cheia de injustiça, receba um novo nome: “Serás chamada cidade da justiça, cidade fiel”. Nesse contexto de promessas de salvação foi acrescentada a visão de Isaías, que hoje ouvimos, aponta para um futuro cheio de esperança para Judá e Jerusalém, e para toda a humanidade. O texto é um “cântico de Sião”, no qual os judeus se convidam para a peregrinação anual a Jerusalém (cf. Sl 122). Aqui, porém, são os povos de todas as nações que fazem o convite para a peregrinação. A meta da peregrinação é “o monte da casa do Senhor”. Entre os povos do Médio Oriente fala-se em “montanha dos deuses”. A montanha é o lugar do encontro entre o Céu e a terra, lugar privilegiado para o encontro com Deus. Os que participam da peregrinação desejam encontrar-se com Deus e esperam que Ele “mostre seus caminhos e ensine a cumprir seus preceitos”, porque para os judeus é “de Sião que provém a lei e de Jerusalém, a palavra do Senhor”. Os chefes e juízes de Jerusalém não julgavam com justiça os mais pobres e semeavam a violência na cidade. Mas, tendo o Deus de Israel como juiz, deixando que Ele nos mostre os seus caminhos ensine a cumprir seus preceitos, então haverá paz messiânica entre as nações. Não haverá mais guerras, porque as espadas serão transformadas em arados e as lanças em foices. Os instrumentos de morte se tornarão instrumentos que promovem a vida. Por fim, o profeta unindo-se a todos os povos, convoca também a nós: “deixemo-nos guiar pela luz do Senhor”. – Para Isaías, Jerusalém e o templo são a morada de Deus. De lá o Senhor ensinará a todos os povos a seguir o seu caminho, cumprindo seus preceitos. É a partir de Jerusalém que Jesus enviará os seus discípulos para anunciar o Evangelho a todos os povos (Lc 24,47; At 1,8; Mt 28,16-20).

Salmo responsorial: Sl 121 (122),1-2.4-5.6-7.8-9 (R. v. 1)

Que alegria, quando me disseram: “Vamos à casa do Senhor!

2. Segunda leitura: Rm 13,11-14a

A salvação está mais perto de nós.

Paulo ainda não conhecia pessoalmente a comunidade cristã de Roma. Conheceu a comunidade apenas indiretamente, através do casal Áquila e Priscila, judeus convertidos vindos de Roma. Encontrou o casal em Corinto e como eram também fabricantes de tendas, trabalhava e se hospedava com eles (At 18,1-4). De tanto ouvir falar dos cristãos de Roma, Paulo desejava visitá-los para também ali anunciar o Evangelho (At 19,21-22). Escreve a Carta aos Romanos, a fim de preparar sua visita. No trecho que hoje ouvimos, percebe-se que, para Paulo, o anúncio do Evangelho e a vida cristã são dinâmicos, quando impulsionados pela expectativa do dia da vinda do Senhor. A frase inicial “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar... a salvação está mais perto”, convida a nos situarmos no tempo em Paulo e os cristãos viviam e no tempo no qual nós vivemos. A pergunta pelo tempo é a pergunta pelo hoje. Portanto, dentro da esperança da próxima vinda do Senhor, coloca-nos no chão de nossas vidas. Devemos dar nossa resposta de fé, vivendo hoje a mensagem do evangelho. No tempo de Paulo, judeus e judeu-cristãos eram perseguidos em Roma e expulsos por decreto do imperador Cláudio, como Áquila e Priscila. E nos perguntamos: quais são os problemas, as angústias e sofrimentos que afligem nossas vidas e nossa sociedade? Para seu tempo e para o nosso Paulo dá algumas orientações: “É hora de despertar... porque a salvação está próxima”. É tempo de Advento, da esperança do Senhor que vem nos salvar. Despir tudo que significa noite ou trevas (pecado) e vestir-se das armas da luz; isto é, “revestir-se do Senhor Jesus Cristo”. Não basta dizer que os políticos e a sociedade são corruptos, mas é preciso que “procedamos honestamente como em pleno dia”.

Aclamação ao Evangelho

Mostrai-nos, ó Senhor, vossa bondade

e a vossa salvação no concedei!

3. Evangelho: Mt 24,37-44

Ficai atentos e preparados!

Começamos hoje a ouvir o anúncio do Evangelho de Mateus, que nos acompanhará até finais de novembro de 2017. O tema do Evangelho é a vinda do Filho do Homem e como se preparar para recebê-lo. A vinda do Filho do Homem é certa, mas sua hora é incerta. No versículo anterior ao texto hoje proclamado, o próprio Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente o Pai”. As comparações ilustram como será essa vinda do Filho do Homem e nos convidam à vigilância: Por ocasião do dilúvio, Noé construiu a arca porque foi advertido por Deus. Todos os outros homens apesar dos avisos de Noé continuaram sua vida normal em meio à violência e maldade. Noé salvou sua família e os animais recolhidos na arca enquanto as outras pessoas pereceram porque não se converteram. E Jesus explica: “Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem (v. 37-39). Os exemplos dos lavradores (v. 40) e das donas de casa que trabalham juntas (v. 41), ou do dono da casa que deve estar atento para impedir que o ladrão lhe arromba a casa (v. 43) ilustram a necessidade de aguardar a vinda do Filho do Homem na vigilância. Nesse pequeno trecho quatro vezes Jesus fala da vinda do Filho do Homem. Como não sabemos quando o Senhor virá devemos ficar atentos, vigilantes e bem preparados para recebê-lo com alegria. Que o Senhor nos encontre ocupados com nossos trabalhos e servindo ao próximo com amor.

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*Frei Ludovico Garmus é Doutor em Exegese Bíblica, Professor de Exegese no Instituto Teológico Franciscano-ITF, em Petrópolis, escritor, conferencista e colabora com o nosso Blog, autorizando a reprodução de textos e de reflexões de sua autoria.

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