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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por mês: janeiro 2016

jan 31

O RESGATE DA MEMÓRIA DE PADRE CÍCERO ROMÃO BATISTA

PADRE CÍCERO

PADRE CÍCERO: UM NOME DA NOSSA HISTÓRIA

PARTE I

            O povo do Ceará, especialmente o de Juazeiro do Norte, sabe muito bem, seja em qual idade for, quem foi Padre Cícero Romão Batista. O resto do Brasil, também, em grande parte, sabe, mas, para o cearense “Padim Ciço” é o Santo a ser buscado em qualquer dia ou hora, capaz de operar todos os milagres a ele pedidos. Pois bem, no ano de 1894 a Igreja de Roma suspendeu as ordens sacerdotais de Padre Cícero, vítima de inúmeras acusações, e assim o manteve até o ano de 2015 quando, no mês de dezembro, o Vaticano anunciou a reconciliação, abrindo caminho, até, para um implorado processo de beatificação.

            Em 14 de dezembro de 2015 o portal G1 publicava a notícia que milhares de cearenses aguardavam com grande ansiedade:

"Vaticano aceita reconciliação da Igreja Católica com Padre Cícero 

*Por Aline Oliveira – Fortaleza - CE 
Os devotos do Padre Cícero começam a semana com motivos para comemorar. O Vaticano aceitou o pedido para a reconciliação da Igreja Católica com o religioso. Para a CNBB, esse pode ser o primeiro passo para a beatificação.
A resposta do Vaticano veio nove anos depois do pedido feito pela Diocese do Crato, cidade onde Padre Cícero nasceu. O pedido foi que a igreja perdoasse o religioso cearense que morreu sem poder, por exemplo, celebrar missas.
A Igreja Católica suspendeu as ordens sacerdotais do Padre Cícero em 1894 por causa de um suposto milagre que se repetiu durante missas celebradas pelo religioso. Segundo historiadores, Padre Cícero dava hóstias que se transformavam em sangue na boca de uma beata. O episódio ficou conhecido como milagre de Juazeiro, mas foi negado pela Igreja Católica.
Agora, em carta ainda não divulgada na íntegra, o Vaticano reconheceu que "o afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (...), e considerou que "é inegável que o Padre Cícero Romão Batista viveu uma fé simples, em sintonia com seu povo e, por isto mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo.
Todos os anos, Juazeiro do Norte, cidade que Padre Cícero fundou, no sul do Ceará, recebe dois milhões de fiéis. Romeiros sempre o consideraram santo.”

           A partir deste mês de janeiro/2016, vamos publicar, aqui neste espaço, alguns trechos do livro “PADRE CÍCERO – Poder, Fé e Guerra no Sertão[1]”, escrito pelo jornalista e escritor Lira Neto, e editado pela Companhia das Letras, por meio do qual o autor revela aspectos bastante interessantes da vida e da história de Padre Cícero Romão Batista, inclusive, sobre o início dos trabalhos de revisão da pena imposta ao sacerdote cearense revelando, ainda, que tudo (re)começou sob a orientação do então Cardeal Joseph Ratzinger, ainda Prefeito da poderosa Congregação  para a Doutrina da Fé. A importância do relato, a induzir a aquisição do livro, é levar aos nosso leitores uma pequena contribuição acerca da riquíssima história devocional do nosso povo, em especial, do povo nordestino que, apesar de todos os pesares, jamais perdeu a fé e a esperança.

“Nos bastidores do Vaticano, o futuro papa Bento XVI planeja redimir um padre maldito 

2001-2006 

  São nove horas da manhã. Como faz todos os dias, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, 74 anos, atravessa a pé a praça de São Pedro, no coração da Santa Sé. De batina preta, boina de feltro escuro sobre os cabelos muito brancos, o proeminente teólogo ainda não atende pelo nome de Bento XVI. Mas já é reconhecido como o mais poderoso interlocutor de Sua Santidade, o papa João Paulo II, Ratzinger percorre com passos firmes o caminho de paralelepípedos e, diante do portão de ferro do palácio do Santo Ofício, recebe a habitual continência dos dois soldados da guarda suíça. Reverentes, estes lhe abrem passagem, com os característicos uniformes coloridos em azul, vermelho e amarelo. Aqui, visitantes ocasionais não são bem-vindos. Transposto o pórtico principal, chega-se às dependências da Congregação para a Doutrina da Fé — como desde 1967 passou a ser denominado o Santo Ofício, mais anteriormente conhecido pelo nome original, que fazia tremer a alma dos acusados de heresia: Inquisição Romana. No interior daquelas paredes de pedra, em pleno século XXI, ainda existe um tribunal religioso encarregado de julgar os que professam opiniões divergentes das consideradas oficiais pela Igreja. 

      Na condição de prefeito da Congregação, o equivalente contemporâneo ao cargo de inquisidor-geral, cabe a Joseph Ratzinger o papel de guardião da ortodoxia católica. Por isso, alguns dos segredos mais caros ao Vaticano são conduzidos na velha valise de couro negro que ele sempre leva à mão direita. Ali vão a agenda de despachos e os documentos para o expediente do dia. No escritório, em cima da vasta mesa de trabalho, a pilha de papéis oficiais com o timbre da Santa Sé divide espaço com um crucifixo de ouro, uma luminária, um porta-lápis e um pequeno calendário. Neste último, vê-se a indicação: é a primavera de 2001. O cardeal, sentado em sua cadeira estofada de espaldar alto, prepara à mão o esboço de uma carta que será enviada em caráter reservado à Nunciatura Apostólica do Brasil. A correspondência diz respeito a um delicado tema: a pertinência de uma possível reabilitação canônica de um sacerdote brasileiro falecido em 1934, aos noventa anos de idade. Alguém que levou para o túmulo o estigma de ter sido um proscrito da Igreja. Um clérigo julgado e condenado como insubmisso, contra o qual os inquisidores da época decretaram a pena de excomunhão. Um reverendo maldito, que a despeito disso continua a arrebanhar milhões de peregrinos e devotos, incansáveis perpetuadores de sua memória: o padre Cícero Romão Batista. 

       O diligente Joseph Ratzinger, é claro, tem notícia dos cerca de 2,5 milhões de fiéis que acorrem todos os anos a Juazeiro do Norte, cidade localizada a 520 quilômetros de Fortaleza, no interior do Ceará. O número de peregrinos que chegam ao local onde viveu padre Cícero, de fato, impressiona. É como se metade da população de uma metrópole como Roma se deslocasse em massa, anualmente, para reverenciar um sacerdote banido das hostes da Igreja. Em Juazeiro, a multidão compacta paga promessas, acende velas, renova a fé, faz novos pedidos e invoca a proteção de seu guia espiritual. No topo da serra que avizinha a cidade, foi erguida uma imagem gigantesca de padre Cícero, com 27 metros de altura, uma das dez maiores estátuas cristãs de concreto das Américas. Próximo à capela onde está enterrado o corpo do reverendo, na chamada Casa dos Milagres, o testemunho das centenas de milhares de graças alcançadas arrebatam o olhar de quem chega à porta. São os chamados ex-votos: fotografias e esculturas de madeira, cera ou barro, que reproduzem partes do corpo humano. Pernas, braços, mãos, cabeças. Muitas cabeças. Foram deixados ali por doentes terminais que juram ter recuperado a saúde, aleijados que afirmam ter voltado a andar, cegos que dizem enxergar de novo, loucos que asseguram ter recuperado o juízo. Para toda essa gente, padre Cícero é o santo milagreiro, devidamente canonizado pela devoção popular, embora proibido de entrar nos altares oficiais. 

    Difícil encontrar uma casa no sertão nordestino na qual não exista uma imagem de padre Cícero. Retratado sempre com o cajado, o chapéu e a batina, ele parece onipresente entre os sertanejos. Em Juazeiro, mais ainda. Ele está na fachada das lojas, dos supermercados, dos cartórios, das bodegas, dos comitês eleitorais. Estátuas de Cícero de gesso — e em tamanho natural — adornam até mesmo as agências das grandes redes bancárias instaladas na cidade. Ele só não está nas igrejas.

       Para o Vaticano, tal veneração tem se tornado ainda mais eloquente diante da constatação de que a cada ano o catolicismo perde milhares de adeptos no Brasil. Segundo cálculos insuspeitos da própria Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a sangria de fiéis é considerada alarmante. O país, na verdade, ainda continua sendo "a maior nação católica do mundo". Mas a última década assistiu à queda vertiginosa no percentual de católicos brasileiros, enquanto o contingente de evangélicos se multiplicou em idêntica proporção. Em última análise, deixar que o culto a padre Cícero permaneça à margem da liturgia significa negar o acolhimento pastoral a toda uma preciosa legião de devotos. Ratzinger sabe disso. Vigilante como sempre no desempenho de sua função, ele tem plena ciência da força do mito em torno do chamado Patriarca do Juazeiro.

   E óbvio que o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé não desconhece também as graves acusações históricas que recaem sobre o homem Cícero Romão Batista. Elas não são poucas. Quando reunidas, constituem notórios obstáculos à ideia de anistiar, post mortem, as penas que foram impostas ao padre, em vida, pelo Tribunal do Santo Ofício. A primeira incriminação que incide sobre Cícero é a de ter sido ele um mistificador, um aproveitador das crenças do povo mais simples, um semeador de fanatismos. Homem de ideias religiosas pouco ortodoxas, leitor de autores místicos, dado a ver almas do outro mundo e defensor de milagres não endossados pelo Vaticano, Cícero estaria mais próximo da superstição do que da fé, disseram dele os muitos adversários que colecionou no meio do próprio clero. Decorre daí outra incriminação, ainda mais incisiva: a de que nas vezes em que fora repreendido por seus superiores eclesiásticos agira como um rebelde e caíra em desobediência. Na rígida hierarquia clerical, desobedecer a um superior constitui pecado gravíssimo. Almas indóceis à autoridade de bispos e cardeais não vão para o Céu, assim determina a lei da Igreja.”

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CONTINUA EM BREVE

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PADRE CÍCERO - O LIVRO

[1] NETO, Lira. PADRE CÍCERO – PODER, FÉ E GUERRA NO SERTÃO. São Paulo. Companhia das Letras: 2009. 557 páginas.

jan 31

O PROFETA NÃO É RECONHECIDO EM SUA PÁTRIA – LEITURA ORANTE

O ROSTO DE JESUS

 O ANÚNCIO NA SINAGOGA DE NAZARÉ - Lc 4,21-30 –

Preparo-me para a Leitura Orante, rezando uma canção do Padre Zezinho. Palavras que não passam

Foi teu coração que me ensinou palavras que não passam

No teu coração coloquei o meu Minha religião vem de ouvir teu coração

Foi teu coração que me ensinou a fazer da vida uma esperança só

Sei que aprenderei se te ouvir falar não me perderei se te ouvir com atenção

Palavras que não passam, palavras que libertam , palavra poderosa tem teu coração

Palavra por palavra revelas o infinito como é bonito ouvir teu coração

1. Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia? Leio atentamente o texto: Lc 4,21-30, e observo pessoas, palavras, relações, o lugar onde acontece o fato.

. Então ele começou a falar. Ele disse: - Hoje se cumpriu o trecho das Escrituras Sagradas que vocês acabam de ouvir. Todos começaram a elogiar Jesus, admirados com a sua maneira agradável e simpática de falar, e diziam: - Ele não é o filho de José? Então Jesus disse: - Sem dúvida vocês vão repetir para mim o ditado: "Médico, cure-se a você mesmo." E também vão dizer: "Nós sabemos de tudo o que você fez em Cafarnaum; faça as mesmas coisas aqui, na sua própria cidade." E continuou: - Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra. Eu digo a vocês que, de fato, havia muitas viúvas em Israel no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e meio, e houve uma grande fome em toda aquela terra. Porém Deus não enviou Elias a nenhuma das viúvas que viviam em Israel, mas somente a uma viúva que morava em Sarepta, perto de Sidom. Havia também muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi curado. Só Naamã, o sírio, foi curado. Quando ouviram isso, todos os que estavam na sinagoga ficaram com muita raiva. Então se levantaram, arrastaram Jesus para fora da cidade e o levaram até o alto do monte onde a cidade estava construída, para o jogar dali abaixo. Mas ele passou pelo meio da multidão e foi embora.

Refletindo

Jesus chegou à sinagoga de Nazaré, depois de sua prova no deserto, segundo a narração de Lucas. A cena comunica a síntese e o modelo da pregação de Jesus. De início, as pessoas ficam surpresas com o anúncio e a declaração de Jesus como Messias. “Todos começaram a elogiar”. Em seguida, veio a dúvida: “Não é ele o filho de José?” Segue-se a rejeição: “todos na sinagoga ficaram com muita raiva”. E, acabam por tentar um homicídio: “arrastaram Jesus para fora da cidade e o levaram até o alto do monte onde a cidade estava construída, para o jogar dali abaixo”. O texto conclui dizendo que “ele passou pelo meio da multidão e foi embora”.

2. Meditação (Caminho)

O que o texto diz para mim, hoje? Nossos pastores nos ajudam a trazer para nossa vida a Palavra que refletimos. Meditando Disseram em Aparecida: “Por isso, nós, como discípulos e missionários de Jesus, queremos e devemos proclamar o Evangelho, que é o próprio Cristo. Anunciamos a nossos povos que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para o homem, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Os cristãos somos portadores de boas novas para a humanidade, não profetas de desventuras.” (DAp 30).

3.Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus? Rezo, espontaneamente, com salmos ou outras orações e concluo, com a Oração pelas Vocações

Jesus, Mestre divino,

que chamastes os Apóstolos a vos seguirem,

continuai a passar pelos nossos caminhos,

pelas nossas famílias,

pelas nossas escolas e

continuai a repetir o convite a muitos de nossos jovens.

Dai coragem às pessoas convidadas.

Dai força para que vos sejam fiéis como apóstolos leigos,

como diáconos, padres e bispos,como religiosos e religiosas,

para o bem do Povo de Deus e de toda a humanidade.

Amém.

Papa Paulo VI

4.Contemplação (Vida e Missão)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Meu novo olhar é de alguém que anuncia que Deus nos ama, que sua existência não é uma ameaça para nós, que Ele está perto com o poder salvador e libertador de seu Reino, que Ele nos acompanha na tribulação, que alenta incessantemente nossa esperança em meio a todas as provas. Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.

- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.

- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.

- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, fsp

patricia.silva@paulinas.com.br

jan 31

REVENDO FRANCISCO – PRIMEIRO TEXTO

FRAN-1

O CÂNTICO DAS CRIATURAS 

*Por Viviane Gonçalves Noel

Os relógios marcam o tempo:

– Hora do nascimento, doutor.

– Hora da mamadeira, mamãe.

– Hora do almoço, crianças.

– Hora de estudar, mocinho.

– Hora de trabalhar, meu amor.

– Hora do casamento, mulher.

– Hora da reunião, papai.

– Hora da visita, titia.

– Hora do óbito, enfermeira.

Ora, ora... O que a hora esqueceu-se de marcar, que eu não percebi? Os relógios marcam o tempo. O tempo marca nossas vidas. Nossas vidas marcam outras vidas. E tudo isso que é eterno tentamos explicar em fração de segundos, para, talvez, numa atitude vã, controlar o que é incontrolável, agarrar o que, inevitavelmente, escapará, porque o tempo não para, e toda hora é hora de ser feliz e de fazer feliz!

É hora de mergulharmos no mais belo cântico de Francisco de Assis, O Cântico das Criaturas. Um cântico sem tempo, sem hora marcada, um eterno louvor! Quem entender o significado dele apreciará sua beleza para todo o sempre e estará em oração contínua, acompanhado de Francisco e de todas as criaturas!

 

            No próximo encontro, refletiremos sobre o “Louvor ao Altíssimo”!

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*Viviane Gonçalves Noel, é formada em Pedagogia, pela Universidade Católica de Petrópolis e pós-graduada em Espiritualidade, Ecologia e Educação - uma abordagem transdisciplinar, pelo Instituto Teológico Franciscano. Trabalha com a criação de poesias e crônicas personalizadas para as mais diversas ocasiões. Em dezembro de 2014, lançou seu primeiro livro: Francisco de Assis e a Profunda Poesia de Ser Parte da Natureza, pela Editora Chiado. Em maio de 2015, lançou, de forma independente, seu segundo livro, o infantil: O Travesseiro Mágico. 
 

jan 31

FAMÍLIA: CAMINHOS E DESAFIOS

FAMÍLIA - O QUE É

O QUE É FAMÍLIA? 

*Por Pastor Elton Pothin

         No último parágrafo da reflexão anterior, escrevi que “a família passou de um período de autoritarismo masculino para o extremo do liberalismo desenfreado.” 

         Neste sentido, gostaria de refletir com você, leitor, sobre a pergunta: o que é família? 

         Nos tempos de nossos bisavós, o núcleo familiar consistia num homem e uma mulher casados no civil e na Igreja com seus filhos. O pai é quem tinha autoridade total – mandava em tudo e em todos. Era também o provedor, sustentava a família financeiramente. A mãe era a dona de casa e mãe dos filhos. Submissa ao marido. Os filhos eram também submissos ao pai – desobedecer, questionar como se faz hoje, nem pensar! Era uma surra bem dada na certa! Lembramos ainda que filhos tidos fora do casamento não tinham direito – eram os chamados “bastardos”. 

         O divórcio não era permitido. Somente em 1977 foi promulgada a Emenda Constitucional nº 09 que criou o divórcio, permitindo que houvesse a extinção dos vínculos de um casamento e autorizando a pessoa divorciada a contrair novo matrimônio. 

         Lembramos que, até o ano de 1977, quem casava permanecia com um vínculo jurídico para o resto da vida. Caso a convivência fosse insuportável, poderia ser pedido o 'desquite', que interrompia com os deveres matrimoniais e terminava com a sociedade conjugal. Significa que os bens eram partilhados, acabava a convivência sob mesmo teto, mas nenhum dos dois poderia recomeçar sua vida ao lado de outra pessoa cercado da proteção jurídica do casamento. 

         Além disso, a mulher que pedia divórcio era mal vista na sua própria família, na sociedade, na Igreja. 

         As mudanças foram acontecendo. Com a economia liberal de mercado, a principal mudança foi a entrada da mulher no campo de trabalho. Assim, ela já não está mais na dependência financeira do marido como provedor. E isso muda tudo! Além disso, a revolução sexual ocorrida entre os anos de 1960 e 1970 é um fator determinante. Assim, a mulher já não precisa mais suportar desmandos e violência do marido. Com isso, há um número maior de divórcios. 

         Muitos falam que hoje as pessoas não sabem mais ceder, que, por qualquer coisa, se divorciam. Creio que não seja bem assim. O que acontecia é que, antes da lei do divórcio e antes de entrar no campo de trabalho, a mulher sofria calada. Não tinha outra alternativa! Com o homem como provedor, não tinha como se sustentar. Para onde ela poderia ir, se todos desprezavam uma divorciada ou desquitada? Iria sofrer a rejeição da família, perderia os amigos, teria a rejeição social e a condenação da Igreja! 

         Hoje, é preciso que haja diálogo, entendimento, equilíbrio, decisões conjuntas no matrimônio! E, muitas vezes, o marido ainda acha que está no século passado, onde pode mandar e desmandar. E apela até para a violência. Com isso, é claro que o número de divórcios aumentou – mas não por leviandade, mas porque ainda não houve o devido avanço na maturidade das pessoas para a nova realidade do matrimônio – principalmente dos homens. 

         Com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também entram em cena os direitos da criança. Assim, também a relação pais/mães e filhos mudou (como vimos em artigos anteriores, para um lado não muito positivo, também por falta de maturidade dos adultos na nova realidade). 

         A lei que define a família também mudou. A lei 11.340, de agosto de 2006, define a família como “a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa.” (artigo 5º, II) Há também a nova lei que regulamenta a uniões que não são regularizadas pela lei civil (aquela que definimos como “juntar os trapos” – daqueles que simplesmente “foram morar juntos”) – a nova lei 13.135, da união estável, de 17 de junho de 2015. 

         Com isso, ampliou-se a concepção do que seja o núcleo familiar – não se restringindo mais a homem e mulher legalmente casados com seus filhos. Com essa nova lei, a uniões estáveis sem formalização, as uniões homossexuais, os núcleos monoparentais (avó, mãe e filha, por exemplo) e grupos de irmãos são, legitimamente, famílias. 

“A família nuclear tradicional está cedendo lugar à família ampliada ou extensa, isto é, aquela formada por diferentes tipos de membros e gerações. “Sintetizando, a nova família, que antes era definida pela obrigação, é hoje definida pelo afeto, ou seja, relações de consanguinidade sendo substituídas pela relações afetivas e amorosas.”” (Revista Novo Olhar, nº 35, p. 12) 

         A família mudou! Mas não é uma instituição em crise! O que entrou em crise foi o modelo de família patriarcal que descrevemos no início deste artigo.

         No próximo mês, iremos refletir um pouco mais sobre o novo modelo de família em nossa sociedade.

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PASTOR ELTON POTHIN*Pastor Elton Pothin, é natural de Arroio do Tigre-RS, formou-se em Teologia pela Faculdade de Teologia da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil em São Leopoldo/RS, em julho de 1993. Atuou como Pastor nas Comunidades de Teutônia/RS; Martin Luther (Joinville/SC) e, ultimamente, está à frente da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Petrópolis-RJ. Mensalmente, envia-nos reflexão  sobre a família, seus caminhos e seus desafios.

jan 31

SEMANÁRIO DOMINICAL – O CHAMADO DE DEUS

PAULO DAHER

4º Domingo Comum - Ano C – 31/01/16 - 

*Por Mons. Paulo Daher - 

      1. O chamado de Deus realiza nossa vida pela

      missão com pessoas com quem convivemos.

     As distrações podem abafar a voz de Deus.

             E o Senhor mantém seu chamado. 

     Ambições dificultam nossa entrega,

             mas não mudam o plano divino.

      Nossos fracassos vêm das dificuldades, ou do andamento da construção do reino.

         Daí a promessa: Eu estou contigo:

os planos do Senhor se realizarão.(Jr 1,2-5.17-19)

   Sl 70(71) – Hei de proclamar com alegria

   a tua Salvação, meu Senhor.

        2. São Paulo tece o elogio à caridade, ao amor

         verdadeiro e sincero: fonte de todo o bem. 

      Tudo o que pensamos e fazemos só terá sentido se desejarmos todo o bem e felicidade para os outros. 

       A dificuldade nos relacionamentos, é nossa parte, ou pode vir dos outros.

       Paulo lembra: a confiança, o perdão, a compreensão nos levam à paciência, como instrumento melhore para nos entendermos.(1 Cor, 12,31-13,13)

  1. Cristo em Nazaré vê o encantamento por

sua Palavra.  Se aponta falhas humanas, já não o aceitam. Realizar o plano de Deus sobre nossa salvação e felicidade encontra  obstáculos.

     Cristo não buscava admiração e elogio.  Que entendessem e aceitassem a verdade total.

    Mostrou coragem e fidelidade à mensagem. Audácia, per­sonalidade e independência diante das reações  deles. (Lc 4,21-30)

M E N S A G  E M

O chamado de Deus leva-nos à alegria

do compromisso pela fraternidade..

Viver a caridade é como na família:

traz alegria, trabalho, espera paciente

no crescimento, amadurecimento, fracassos.

Se o amor humano traz alegria e paz,

muito mais o Amor de Deus, se encontrar

porta aberta em nossas mentes e corações.

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*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da  Diocese de Petrópolis, e colabora enviando semanalmente comentários ao Evangelho de domingo.
 

jan 31

O EVANGELHO DE HOJE: LEIA E REFLITA SOBRE A PALAVRA

BÍBLIA DE DOMINGO

4º DOMINGO COMUM - 31/01/2016 - 

 Evangelho  (Lc 4,21-30)

 — O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo Lucas.

— Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”

23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”.

24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria.

25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia.

27E no tempo do profeta Eliseu, havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”.

28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até ao alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho. 

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

  FONTE http://liturgia.cancaonova.com/liturgia/    

jan 31

LITURGIA DIÁRIA: AS LEITURAS DE HOJE

Sacred objects, bible, bread and wine

LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE – 4º DOMINGO COMUM - 31/01/2016 –

 Primeira Leitura (Jr 1,4-5.17-19) 

Leitura do Livro do Profeta Jeremias:

Nos dias de Josias, rei de Judá, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações.

17Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer: não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles.

18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

.- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus. 

SALMO RESPONSORIAL (Sl 70) 

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor:/ que eu não seja envergonhado para sempre!/ Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!/ Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Sede uma rocha protetora para mim,/ um abrigo bem seguro que me salve!/ Porque sois a minha força e meu amparo,/ o meu refúgio, proteção e segurança! / Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio.

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,/ em vós confio desde a minha juventude!/ Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,/ desde o seio maternal, o meu amparo.

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossa justiça e vossas graças incontáveis./ Vós me ensinastes desde a minha juventude,/ e até hoje canto as vossas maravilhas.

— Minha boca anunciará todos os dias/ vossas graças incontáveis, ó Senhor!

SEGUNDA LEITURA (1Cor 12,31-13,13)

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios:

Irmãos: 31Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.

13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada.

3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo.

8A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.

9Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.

12Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido.

13Atualmente, permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.

- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

  FONTE http://liturgia.cancaonova.com/liturgia/

jan 31

JESUS SEMEIA A CARIDADE – A PALAVRA DO SACERDOTE

CARIDADE - 2

VOCAÇÃO E PRÁTICA DA CARIDADE

*Mons. José Maria Pereira

                  No Evangelho (Lc 4,21-30) encontramos Jesus na Sinagoga, onde Jesus disse: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir. Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíram as sua boca” (Lc 4,22). Mas, os nazarenos logo se deixaram envolver em considerações demasiadamente humanas: E diziam: “Não é este o filho de José? E se era realmente o Messias, porque não fazia ali os mesmos milagres que tinha feito em outros lugares? Não tinham igual direito os seus conterrâneos?

            Pressentindo os seus protestos, Jesus responde: “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria” (Lc. 4,24). Mas, nem por isso muda de atitude. Pelo contrário procura demonstrar-lhes que o homem não pode ditar leis a Deus e que Deus tem a liberdade de distribuir os seus dons a quem quer. Recorda o caso da viúva de Sarepta, a quem foi enviado o profeta Elias, com preferência a todas as viúvas de Israel; e do estrangeiro Naaman único leproso curado por Eliseu. Jesus quer fazer compreender aos seus conterrâneos que veio trazer a salvação, não a uma cidade ou a um povo concreto, mas a todos os homens, e que a graça divina não se vincula a uma pátria a uma raça, ou a méritos pessoais, mas é totalmente gratuita. A oposição dos nazarenos torna-se violenta. Cegos pela pequenez de suas mentes e despeitados por não conseguirem o que pretendiam, “levantaram-se e o expulsaram da cidade”. Levaram-no até alto do monte..., com a intenção de lança-lo no precipício (Lc 4,29).

            Tal é a sorte que o mundo guarda para aqueles que, como Cristo têm por missão o anúncio da verdade. Confirma-o o episódio bíblico da Vocação de Jeremias  (cf. Jr 1,4-5. 17-19). Deus tinha escolhido Jeremias como profeta, antes de nascer, mas, ao tomar conhecimento, por revelação divina, quando jovem, desta eleição, treme e, pressentindo futuras contrariedades, quer recusar. Mas Deus anima-o: “Não temas porque estarei contigo para te livrar” (Jr 1,8). O homem escolhido por Deus, para ser porta-voz da Sua palavra, pode contar com a graça de Deus que se lhe antecipa e o acompanhará em todas as situações. Não lhe faltarão contrariedades, perigos e riscos, tal como não faltaram aos profetas e ao próprio Jesus. Apesar disso, Deus também o anima, tal como aconteceu a Jeremias: “eles farão guerra contra ti, mas não te vencerão, porque eu estou contigo para defender-te” (Jr 1,19).

            Numa das mais belas páginas das Cartas de São Paulo (1 Cor 12,30 – 13,13), o Espírito Santo fala-nos de umas relações entre os homens completamente desconhecidas do mundo pagão, pois têm um fundamento totalmente novo: o amor a Cristo. Todas as vezes que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

            A virtude sobrenatural da caridade não é um mero humanitarismo. “O nosso amor não se confunde com a atitude sentimental, nem com a simples camaradagem nem com o propósito pouco claro de ajudar os outros para provarmos a nós mesmos que somos superiores. É conviver com o próximo, venerar [...] a imagem de Deus que há em cada homem, procurando que também ele a contemple, para que saiba dirigir-se a Cristo”.

            O senhor deu um conteúdo inédito e incomparavelmente mais alto ao amor ao próximo, destacando-o como mandamento novo e verdadeiro distintivo dos cristãos. A medida do amor que devemos ter pelos outros é o próprio amor divino: como eu vos amei; trata-se, portanto, de um amor sobrenatural, que o próprio Deus põe em nossos corações. É ao mesmo tempo um amor profundamente humano, enriquecido e fortalecido pela graça.

            Sem caridade, a vida ficaria vazia... A eloquência mais sublime e todas as boas obras – se pudessem dar-se – seriam como o som de um sino ou de um címbalo, que dura um instante e desaparece. Sem caridade, diz-nos o Apóstolo, de pouco servem os dons mais preciosos: Se não tiver caridade, nada sou. Muitos doutores e escribas sabiam mais de Deus, imensamente mais, que a maioria daqueles que acompanhavam Jesus – gente que ignora a lei -, mas a sua ciência ficou sem fruto. Não entenderam o fundamental: a presença do Messias entre eles e a sua mensagem de compreensão, de respeito, de amor.

            A falta de caridade embora a inteligência para o conhecimento de Deus e da dignidade do homem. O amor pelo contrário, desperta, afina e aguça as potências. Somente a caridade – amor de Deus e ao próximo por Deus – nos prepara e dispões para entender Deus e o que Deus se refere, até onde uma criatura pode fazê-lo. Quem não ama não conhece a Deus – ensina São João -, porque Deus é maior. A virtude da esperança também se torna estéril sem a caridade, “pois é impossível alcançar aquilo que não se ama”; e todas as obras são vãs sem a caridade, mesmo as mais custosas e as que comportam sacrifícios; Se eu repartir todos os meus bens e entregar o meu corpo ao fogo, mas não tiver a caridade, isso de nada me aproveita. A caridade não pode ser substituída por nada.

            São Paulo aponta as qualidades que adornam a caridade e diz em primeiro lugar que a caridade é paciente. Para fazer o bem, deve-se antes de mais nada saber suportar o mal.

            A paciência denota uma grande fortaleza. É necessária para nos fazer aceitar com serenidade os possíveis defeitos, as suscetibilidades ou o mau-humor das pessoas com quem convivemos. É uma virtude que nos levará a esperar o momento adequado para corrigir; a dar resposta afável, que muitas vezes será p único meio de conseguir que as nossas palavras calem fundo no coração das pessoas a quem nos dirigimos. É uma grande virtude para a convivência. Por meio dela imitamos a Deus, que é paciente com os nossos  inúmeros erros e sempre tardo em irar-se; imitamos Jesus Cristo que, conhecendo bem a malícia dos fariseus, “condescendeu com eles para ganha-los, à semelhança dos bons médicos, que dão os melhores remédios aos doentes mais graves”.

            A caridade é benigna, isto é, esta disposta de antemão a acolher a todos com benevolência. A benignidade só se enraíza num coração grande e generoso; o melhor de nós  mesmos deve ser para os outros.

            A caridade não é invejosa. Da inveja nascem inúmeros pecados contra a caridade; a murmuração, a detração, a satisfação perante a adversidade do próximo e a tristeza perante a sua prosperidade. A inveja é frequentemente a causa de que se abale a confiança entre amigos e a fraternidade entre irmãos. É como câncer que corrói a convivência e a paz. São Tomás de Aquino chama-a “mãe do ódio”.

            A caridade não é soberba. Sem humildade, não pode haver nenhuma outra virtude, e particularmente houve previamente outras de vaidade e orgulho, de egoísmo, de vontade de aparecer. “O horizonte do orgulhoso é terrivelmente limitado: esgota-se em si mesmo. O orgulhoso não consegue olhar para além da sua pessoa, das suas qualidades, das suas virtudes, do seu talento. É um horizonte sem deus. E neste panorama tão mesquinho, nunca aparecem os outros, não há lugar para eles”.

            A caridade não é interesseira. Não pede nada para a própria pessoa; dá sem calcular o que pode receber de volta. Sabe que ama a Jesus nos outros e isso lhe basta. Não só não é interesseira, mas nem sequer anda à busca do que lhe é devido: busca Jesus.

A caridade não guarda rancor, não conserva listas de agravos pessoais; tudo desculpa. Não somente nos leva a pedir ajuda ao Senhor para desculpar a palha que possa haver no olho alheio, mas nos faz sentir o peso da trave no nosso, as nossas muitas infidelidades.

            A caridade tudo crê, tudo espera, tudo tolera. Tudo, sem nenhuma exceção.

            Podemos dar muito aos outros: fé, alegria, um pequeno elogia, carinho... Nunca esperemos nada em troca, nem sequer um olhar de agradecimento. Não nos incomodemos se não somos correspondidos; a caridade não busca o seu, aquilo que, considerando humanamente, poderia parecer que lhe é devido. Não busquemos nada e teremos encontrado Jesus.

            Recorramos frequentemente à Virgem Maria, Ela nos ensinará a relacionar-nos com os  outros e a amá-los, pois é mestra da caridade.

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*Mons. José Maria Pereira, Sacerdote da Diocese de Petrópolis, é, também, Professor e Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino, e colabora com o Blog enviando semanalmente a homilia do domingo.

jan 30

O EVANGELHO DE HOJE: LEIA E REFLITA SOBRE A PALAVRA

BÍBLIA NOVÍSSIMA

3ª SEMANA COMUM - SÁBADO - 30/01/2016 - 

 Evangelho  (Mc 4,35-41)

 — O Senhor esteja convosco.

— Ele está no meio de nós.

— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo † segundo  Marcos.

— Glória a vós, Senhor.

35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte de trás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

— Palavra da Salvação.

— Glória a vós, Senhor.

  FONTE http://liturgia.cancaonova.com/liturgia/    

jan 30

LITURGIA DIÁRIA: AS LEITURAS DE HOJE

LITURGIA DIÁRIA-2016

LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE – 3ª SEMANA COMUM – SÁBADO 30/01/2016 –

 Primeira Leitura (2Sm 12,1-7a.10-17)

 Leitura do Segundo Livro de Samuel.

Naqueles dias, 1o Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse: “Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre. 2O rico possuía ovelhas e bois em grande número. 3O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha. 4Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou-se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante”. 5Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: “Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte!6Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão”. 7aNatã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: 10Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa. 11Assim diz o Senhor: Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti e tomarei as tuas mulheres, sob os teus olhos, e as darei a um outro, e ele se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol. 12Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo o Israel e à luz do sol”. 13Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! 14Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento o filho que te nasceu morrerá”. 15E Natã voltou para a sua casa. O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi e ele adoeceu gravemente. 16Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. E, voltando para casa, passou a noite deitado no chão. 17Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer nem tomar com eles alimento algum.

.- Palavra do Senhor.

- Graças a Deus.

 SALMO RESPONSORIAL (Sl 50)

 — Criai em mim um coração que seja puro!

— Criai em mim um coração que seja puro!

— Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

— Criai em mim um coração que seja puro!

— Dai-me de novo a alegria de ser salvo e confirmai-me com espírito generoso! Ensinarei vosso caminho aos pecadores, e para vós se voltarão os transviados.

— Criai em mim um coração que seja puro!

— Da morte como pena, libertai-me, e minha língua exaltará vossa justiça! Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, e minha boca anunciará vosso louvor!

— Criai em mim um coração que seja puro!

  FONTE http://liturgia.cancaonova.com/liturgia/

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