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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por mês: maio 2015

mai 31

SAIR EM DEFESA DO OUTRO

 

O BOM SAMARITANO

DE ALGUMA FORMA, É PRECISO SOCORRER O FRACO, O OPRIMIDO E O INJUSTIÇADO -

*Por Luiz Antonio de Moura

                        Quando ouvimos falar em "fracos e oprimidos", logo fazemos uma associação mental com "indigentes", com aqueles e aquelas que vivem na mais completa pobreza,  escondendo-se sob as marquises dos edifícios ou sob pontes e elevados,  revirando lixeiras atrás de restos de tudo: de roupas, de calçados, de alimentos e de tudo o mais que esteja disponível ou que ainda possa ter a mínima possibilidade de uso ou de aproveitamento. Quase sempre, quando ouvimos a expressão "fracos e oprimidos", essa é a primeira imagem que vem à nossa mente.

                        Entretanto,  há que se fazer, aqui, uma sutil distinção entre o fraco, oprimido e sofrido e o despojado de força física e subjugado ao poder de quem o explora, domina, oprime e castiga sempre, de forma injusta, cruel e desumana e, não raro, despojando-o do pouco que tem.

                        É exatamente sobre estes que estamos nos referindo no presente texto.  Sobre eles e sobre o modo como devemos nos comportar diante do mal que cai sobre seus corpos e espíritos. No mundo em que vivemos, amplamente dominado pelo egoísmo e pelo individualismo litúrgico, somos, quase que de forma inconsciente, empurrados para bem longe de tais pessoas e situações, como se quiséssemos deixar bem claro que não as conhecemos e que pouco, ou nada, nos importa o destino que têm ou vivem. E, infelizmente,  dessa lógica nefasta não escapam muitos daqueles que vivem alardeando o nome de Deus aos quatro ventos, pregando sobre a importância da fé, da misericórdia e do amor ao próximo.

                        A questão primeira da nossa análise diz respeito àqueles que sofrem perseguições,  injustiças ou violência mesmo, à nossa frente, diante dos nossos olhos ou que, no mínimo,  apresentam-se diante de nós, esperando por uma defesa expressa,  vigorosa e contundente da nossa parte. Dentro desse contexto,  chama a atenção o fato de dois homens estarem em combate físico, em plena luz do dia e em espaço público, em que um deles, demonstrando ser mais forte, agride violentamente o outro, visivelmente mais fraco, ou subjugado pela bebida ou por outro componente químico qualquer. Uma outra situação corriqueira, principalmente nos grandes centros urbanos,  é a de um menino, ou de uma menina, sendo perseguido e preso por populares, depois da tentativa frustrada de um furto, onde algumas pessoas principiam um linchamento público. E, uma terceira situação diz respeito àquela pessoa caída num canto de rua,  revelando alguns ferimentos e, aparentemente, envolvimento com o uso de bebidas ou de drogas.

                        É bastante forte a nossa tendência de não envolvimento direto e, ao mesmo tempo, comprometido com tais situações. Existem, no entanto,  quatro histórias narradas na Bíblia, duas envolvendo Moisés,  e duas Jesus,  que podem ajudar-nos a sairmos da nossa nave individual todas as vezes em que, diante de nós,  ocorrer alguma cena de violência, de injustiça ou de abandono de algum irmão ou irmã que tenha sido vítima  de tais ocorrências.

                        Vamos começar com o fato que inseriu Moisés na história da libertação do povo de Israel do jugo da escravidão. Moisés  vivia na corte do Faraó onde, e por quem, era muito estimado e amado.  Sua vida era, até então,  a de um verdadeiro príncipe, com direito a todas as regalias usufruídas pelo próprio filho do Faraó. Havia mesmo, da parte do rei, interesse real em fazer de Moisés o seu sucessor, tamanho o amor e o prestígio que ele conquistara. Com a criação que teve, Moisés cresceu forte, bonito, saudável, cheio de vida e de coragem, revelando-se um excelente guerreiro, além de ser dono de uma inteligência aguçada. Ou seja, cresceu e viveu em meio a tudo o que de melhor existia naquele mundo.

                        O relato bíblico conta que, num dia qualquer, Moisés resolveu sair do mundo da realeza e decidiu caminhar em meio ao povo hebreu. Talvez, e humanamente falando, interessado em conhecer de perto a vida dos escravos. Diz-se assim, porque a saída de Moisés para o cenário da escravidão já representa a ação direta de Deus, cujos planos são insondáveis. Pois bem. Ao circular em meio a toda a agitação de escravos e soldados da corte, Moisés ficou sensibilizado com o sofrimento imposto aos hebreus: homens, mulheres, crianças, jovens e até anciãos sendo forçados ao trabalho penoso e pesado. Senão tivesse saído da sua zona de conforto Moisés jamais teria tomado conhecimento do custo humano da construção de todas aquelas suntuosas obras.

                        Pois bem. O relato está em Êxodo 2, 11-12: “Naqueles dias, sendo Moisés já grande, saiu a visitar seus irmãos; e viu a sua aflição, e um homem egípcio que maltratava um dos hebreus seus irmãos. Tendo olhado para uma e outra parte, e vendo que não estava ali ninguém, matando o egípcio, escondeu-o na areia”. Temos aí, um Moisés que caminha na linha divisória entre o poder, no meio do qual crescera, e o povo hebreu, de onde proviera. De um lado, o aspecto gritante do poder em suas veias, ao enfrentar bravamente o egípcio, do qual os hebreus tinham medo, e, de outro, a força do sangue hebreu que, simultaneamente, circulava em suas artérias coronarianas.

                        Moisés, no entanto, não se deu por satisfeito e, no dia seguinte, saiu novamente a caminhar no meio do povo e das edificações e, desta vez, depara-se com uma rixa entre dois hebreus, percebendo que um injuriava o outro de maneira ríspida. Possivelmente, um hebreu mais forte e mais saudável dentre todos, ainda que vivendo na mesma escravidão e no mesmo sofrimento que o outro, resolveu mostrar toda a sua indignação, não contra o opressor egípcio, mas, contra um irmão de sofrimento, como acontece, ainda, nos dias de hoje. Moisés, não se conformando com a injustiça que desfilava diante de seus olhos, pergunta ao agressor: "Por que feres o teu próximo?" E, desta vez, ele próprio é enfrentado pelo escravo arrogante: “Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós? Acaso queres tu matar-me, como mataste o egípcio?"  (Ex 2, 13-14).

                        O fato que nos chama a atenção, nos dois episódios, é a intervenção do justo em defesa do injustiçado, do sofrido, do agredido, sem qualquer distinção. Feriram o sentimento de Moisés, tanto a agressão do egípcio a um hebreu, quanto à de um hebreu contra um semelhante seu, em tudo. Não se discute os meios de defesa utilizados, mas, e sobretudo, a decisão de sair em defesa do outro, pouco importando de que lado ele esteja. 

                        Caminhando na linha do tempo, e sempre para a frente, chegamos em Jerusalém, no tempo em que por lá vivia o homem conhecido pelo nome de Jesus de Nazaré. O Evangelista João é quem conta que, numa certa manhã, ao retornar do Monte das Oliveiras, e, enquanto ensinava no templo, Jesus foi surpreendido com a chegada de escribas e fariseus que traziam presa uma mulher que, segundo eles, fora descoberta na prática do adultério, o que, nos termos da Lei, era punível com o apedrejamento. Queriam saber a opinião de Jesus. Afinal, a Lei era, ou não era para ser cumprida? A Lei procede de Deus, então, se não cumprida, desafia o próprio Deus. Se, por outro lado, é cumprida, nesse caso, destrói a tese de Jesus que bendisse os misericordiosos (Mt 5, 7). “Que dizes tu, pois?, perguntaram a Jesus. Todos sabemos o que disse Jesus naquele momento, porém, é gostoso repetir: diante daquele alvoroço todo, com os homens inflamados em seu desejo de sangue, com a mulher lançada ao chão, em lágrimas e vendo a morte espreitá-la e com todo o povo boquiaberto, aguardando uma solução justa e em conformidade com os preceitos da Lei, Jesus olha profundamente nos olhos daqueles algozes, penetrando-lhes no íntimo de suas almas e diz: “O que de vós está sem pecado, seja o primeiro que lhe atire a pedra” e, serenamente, abaixou-se e pôs-se a escrever na terra seca. Rapidamente o motim se desfez e um a um daqueles homens foi colocando suas pedras no chão e saindo mansamente, como se alguém lhes tivesse posto o dedo na mais profunda de suas feridas. Jesus, erguendo-se e constatando a retirada dos agressores, libera a mulher, conclamando-a a não voltar a pecar. 

                        D’outra feita Jesus, para ensinar a prática da caridade, da misericórdia e do amor ao próximo, conta a história de um homem que descia de Jerusalém para Jericó e que, depois de ser despojado de seus pertences e agredido covardemente por ladrões, é socorrido por um samaritano que cuida de suas feridas e, transportando-o no lombo de um de seus animais, entrega-o aos cuidados de um estalajadeiro, entregando-lhe certa quantia em dinheiro para os gastos necessários, comprometendo-se a voltar e a pagar qualquer acréscimo que fosse feito. 

                        De cada um dos fatos narrados, ainda que de forma bastante sucinta, o que pode ser extraído é a capacidade de atuar em defesa do pobre, do fraco, do oprimido e do injustiçado sem que, para tanto, seja preciso revidar a agressão. Ou seja, agir em defesa, aqui, não significa ser mais forte e mais ágil do que o agressor, mas, sim, ser solícito para com a vítima. 

                        Ainda hoje somos convidados a sair em defesa das vítimas que se apresentam diante dos nossos olhos: vítimas da opressão, da injustiça, do abandono, do discurso fácil e mentiroso dos poderosos, da violência diária. Enfim... o campo é vasto. Precisamos fazer como Moisés: sair do nosso esconderijo superprotegido e caminhar no meio dos povos, seja fisicamente, seja pelos meios virtuais dos quais dispomos, vendo como estão sendo tratados nossos irmãos e irmãs mundo afora e sair em defesa deles e delas mansa, pacífica e serenamente, como Jesus, porém, de maneira enfática, direta e contundente como fez Moisés, ao questionar o hebreu que insultava seu semelhante – Por que feres o teu próximo?

                        O que não devemos fazer, é presenciar todo tipo de maldade, de opressão e de injustiça e ficarmos calados, com medo de sermos tidos como “inimigos do rei”. Que rei? Nós só temos um Rei e servimos a um único Reino. E é com esse Rei e com esse Reino que devemos ter compromisso, e o nosso compromisso com esse Rei e com esse Reino importa em compromisso com os nossos semelhantes, principalmente, quando vítimas contumazes da violência, da maldade, da opressão de todo tipo e da injustiça pessoal, institucional e social, sem discriminação de cor, de raça, de sexo, de nacionalidade ou de status social. É o que eu penso!

 

*Luiz Antonio de Moura é graduado em Direito (UCP), pós-graduado em Direito do Trabalho (Estácio de Sá) e em Administração Pública (FGV/RJ) e, atualmente, cursa o 2º ano de Teologia no Instituto Teológico Franciscano - ITF, em Petrópolis-RJ. Também, administra o site www.lisaac.blog.br e a página www.facebook.com/lisaac.sementes

mai 31

RANIERO CANTALAMESSA – LEIA E REFLITA SOBRE ISSO

RANIERO CANTALAMESSA

                          "O Espírito Santo atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus, que Ele nos ama, e assim nos infunde a força para não nos rendermos diante das contrariedade e das cruzes. Há um vínculo estreito entre a tribulação e a esperança, que, no entanto, não é recíproco. Só, com efeito, quanto maiores as tribulações maior a esperança, não se diz que quanto maior a esperança maiores as tribulações. A esperança não produz tribulações, mas as tribulações produzem esperança.

                          Não devemos contentar-nos em ter esperança só para nós. O Espírito Santo quer fazer de nós semeadores de esperança. Não há dom mais belo do que espalhar em casa, na comunidade, na Igreja local e universal, esperança. Ela é como certos produtos modernos que regeneram o ar, perfumando todo um ambiente."

 

FONTE: CANTALAMESSA, Raniero. O Canto do Espírito. 4ª ed. Petrópolis: Vozes. 2009. p. 222.

mai 31

LEITURA ORANTE – O CENTRO DA VIDA

SANTÍSSIMA TRINDADE - ESCULTURA (Escultura de Irmã Caritas Müller, simbolizando a Santíssima Trindade)
 

 Solenidade da Santíssima Trindade -Mt 28,16-20 -

Preparo-me para a Leitura Orante, com todos os internautas, saudando a Santíssima Trindade, com a oração: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo. Trindade Santíssima - Pai, Filho, Espírito Santo - presente e agindo na Igreja e na profundidade do meu ser. Eu vos adoro, amo e agradeço.

1. Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia? Leio atentamente, na Bíblia, o texto: Mt 28,16-20.

               Os onze discípulos foram para a Galileia e chegaram ao monte que Jesus tinha indicado. E, quando viram Jesus, o adoraram; mas alguns tiveram suas dúvidas. Então Jesus chegou perto deles e disse: - Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.            As três pessoas da Santíssima Trindade fazem uma comunhão perfeita. Possuem a mesma natureza, a mesma sabedoria, a mesma misericórdia, providência, bondade, amor. Fomos batizados em nome deste único Deus, em Três Pessoas, e fomos criados à sua imagem e semelhança, para também nós sermos misericordiosos, bondosos.

2. Meditação (Caminho)

O que o texto diz para mim, hoje? Como vivo, nos meus relacionamentos, à semelhança da Trindade? Vivo a solidariedade? Reflito, nas minhas atitudes, o amor de Deus? Os bispos, em Aparecida, disseram: "O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo. "(DAp 14).

           O que pode nos ajudar na experiência da Santíssima Trindade? Para facilitar a experiência da presença e ação da Trindade em nossas vidas, nossa proposta é contemplar a escultura da Irmã Caritas Müller (veja foto acima) que está numa casa de oração na Alemanha; toda obra de arte fala mais que muitas palavras. Todo artista capta detalhes do Mistério e nos oferece ricas possibilidades de acesso que a razão nem sempre consegue explicar.

         O comentário a seguir é do Pe. Adroaldo, sj, que achamos muito oportuno. "Quem é o Pai-Criador, quem é o Filho Redentor, quem é o Espírito Santificador? As definições apresentadas pelo “dogma da Trindade” não nos ajudam muito. No entanto, a identidade da Trindade se revela na sua ação salvífica. O Pai, no Filho e pelo Espírito Santo se preocupam com cada um dos seus filhos e filhas. Sua intenção é idêntica; atitudes e gestos o demonstram: uma mesma atenção, uma mesma paixão os move para o ser humano; um mesmo amor para com cada criatura humana brota das entranhas da Santíssima Trindade.            O interessante é que, ao observarmos a escultura, vemos que o ser humano está no centro. Trata-se da pessoa na sua total fragilidade e miséria, caída e sem forças...Essa pessoa está circuncidada pela misericórdia da Trindade. Em Deus o ser humano está no centro, para que o ser humano coloque Deus no centro da sua vida. Mais uma vez, Deus escolhe para isso o caminho do Amor que se entrega, da inquebrantável misericórdia reconstrutora, da transbordante doação que dignifica cada ser humano.

                Percebemos na escultura quatro círculos. O círculo expressa o caráter único de cada pessoa, tanto divina como humana. As Três Pessoas divinas e a pessoa humana encontram-se dentro de círculos. O círculo da pessoa humana está no centro da Trindade, e os círculos das Três Pessoas da Trindade encontram-se aber-tos em direção a este círculo central. Pela sua Encarnação, Morte e Ressurreição, o Filho é o mediador que introduz o ser humano no coração da Trindade.             É importante notar que os círculos não são fechados, pois as pessoas podem entrar no círculo das outras na medida em que seu amor é atuante e expansivo. O círculo central recolhe uma pessoa humana, que pode ser qualquer um de nós. Não dá para saber se é homem ou mulher, pobre ou rica, jovem ou velha e assim por diante. Parece sim se tratar de uma pessoa ferida nos caminhos da vida.            O círculo, como símbolo de realização, significa que o ser humano, em sua fragilidade e em sua miséria, é chamado à plenitude de vida e de realização.                Logo nos vem a lembrança do Bom Samaritano. As três pessoas divinas estão debruçadas, com reverência, sobre a pessoa machucada. É patente que o Deus uno e trino comunga no mesmo sentimento de amor e compaixão. Tudo converge para esta revelação: o ser humano desfigurado e acolhido pela iniciativa amorosa da Trindade. O ser humano desfigurado é transfigurado pelo Amor Trinitário.

               A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por todos os lados. Toda a atenção de Deus está centrada sobre o ser humano. O Pai (à direita), está carinhosamente inclinado, com um dos joelhos em terra, esforçando-se com cuidado para levantar a pessoa ferida. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. Morre o mal que foi feito e celebra-se a festa da vida nova. Assim fez o pai que, no regresso do filho pródigo, o abraça, o cobre de beijos e o cumula de seu perdão.                  Levantar, rodear de ternura, abraçar, acolhê-lo em seu seio de ternura, tal é o gesto de Deus-Pai para com o ser humano. Gesto de libertação que o coloca de pé, devolvendo sua dignidade.

                Jesus, o Filho de Deus (à esquerda), ajoelha e se inclina profundamente. Ele se rebaixa à mesma condição do ser humano. Ele segura e sustenta com suas mãos os pés da pessoa ferida, lava-os, cura as feridas com carinho e beija seus pés. Beijo, gesto de intimidade e de ternura, que convida a pessoa a deixar-se amar. O amor liberta, põe o homem e a mulher de pé.                Jesus nos revela o maior serviço do amor, ao mesmo tempo que realiza o mais humilde serviço. “Eu vim para servir e não para ser servido”. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaída para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminha para a vida. Em Jesus Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. Não o olha a partir de cima, abaixa-se. Não vem ao nosso encontro em nossas perfeições, mas em nossas misérias.                   É o que Jesus nos revelou durante toda sua vida e de maneira especial no gesto do lava-pés. Ele põe o centro de sua ação nos seres mais pobres e mais fracos, aqueles que não contam para nada, os descartados, os que sofrem e os pecadores. O ser humano, cada um de nós pessoalmente, é tão importante aos olhos de Deus que Ele o coloca no centro de suas preocupações.

                  O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. O bico da pomba, como o Pai e o Filho, beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. Deus quer ter o ser humano, um ser vivente, como interlocutor, um ser capaz de responder seu chamado à vida. Deseja um ser vivente, capaz de amar e de assemelhar-se a Ele.                     A Pomba de fogo, voa sobre o ser humano caído e o aquece. A relação entre a Pomba de fogo e o ser humano do centro recorda Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos, antes marcados pelo medo, se transformam em testemunhas audazes de Jesus e do amor de Deus.                   Pai, Filho e Espírito se preocupam pela pessoa, criada do barro da terra. A pessoa, no centro, é a figura mais escura de todas. Cor da terra, de húmus, um ser criado por Deus, e que estaria sem vida, se esta não lhe fosse comunicada pelo Criador.

                     Ao experimentar esta acolhida restauradora, o ser humano é chamado a ser também presença da Trindade Amiga para seus irmãos, construindo a comunhão trinitária no mundo em que vive. Só corações solidários adoram um Deus Trinitário".

3.Oração (Vida)

O que o texto me leva a dizer a Deus? Renovo a minha fé na Santíssima Trindade: Creio Creio em Deus Pai, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, Que foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da Virgem Maria, Padeceu sob Pôncio Pilatos, Foi crucificado, morto e sepultado. Desceu à mansão dos mortos, Ressuscitou ao terceiro dia, Subiu aos céus, Onde está sentado à direita de Deus Pai E donde há de vir julgar os vivos e os mortos, Creio no Espírito Santo, Na santa Igreja católica, Na comunhão dos santos, Na remissão dos pecados, Na ressurreição da carne, vida eterna. Amém.

4.Contemplação (Vida e Missão)

Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Meu novo olhar é voltado para ser e viver o coração solidário que a Trindade me inspira. Vou me lembrar: "Só corações solidários adoram um Deus Trinitário".

Bênção

A bênção do Deus de Sara, Abraão e Agar, a bênção do Filho, nascido de Maria, a bênção do Espírito Santo de amor, que cuida com carinho,qual mãe cuida da gente, esteja sobre todos nós. Amém! Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém

Irmã Patrícia Silva, fsp patricia.silva@paulinas.com.br

mai 31

A PALAVRA DO PAPA

Papa Francisco - Exortação Apostólica

EXORTAÇÃO APOSTÓLICA – PAPA FRANCISCO - PARTE III –

                   Cada época apresenta seus desafios e suas surpresas. Uns, de difícil compreensão e enfrentamento; outros de fácil assimilação e de completude da animação espiritual. Uma dessas surpresas no mundo dos nossos dias é a presença do Papa Francisco, que vem conquistando o mundo cristão, e até não cristão, com seu sorriso fácil, sua forma de enxergar os desafios do século e que, ao mesmo tempo, tem apresentado sugestões inteligentes, práticas, pacíficas e com potencial para unir e reunir o povo de Deus em torno de uma mesma mesa.

                           Falamos, aqui, em especial, da Carta Apostólica que S. Santidade fez publicar ainda no curso do primeiro ano de pontificado (2013), e que trouxe para todos nós a clareza com que o Sucessor de Pedro enxerga a Igreja, o mundo, os desafios, o homem e todas as suas potencialidades. Estamos prosseguindo com a publicação, sempre aos domingos, e em pequenos trechos, da Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" – A Alegria do Evangelho – para que todos possam ler, meditar e colocar em prática dentro daquilo que lhes for possível. Eis a continuidade, in verbis:

“A proposta desta Exortação e seus contornos

16. Com prazer, aceitei o convite dos Padres sinodais para redigir esta Exortação.Para o efeito, recolho a riqueza dos trabalhos do Sínodo; consultei também várias pessoas e pretendo, além disso, exprimir as preocupações que me movem neste momento concreto da obra evangelizadora da Igreja. Os temas relacionados com a evangelização no mundo atual, que se poderiam desenvolver aqui, são inumeráveis. Mas renunciei a tratar detalhadamente esta multiplicidade de questões que devem ser objeto de estudo e aprofundamento cuidadoso. Penso, aliás, que não se deve esperar do magistério papal uma palavra definitiva ou completa sobre todas as questões que dizem respeito à Igreja e ao mundo. Não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar «descentralização».

17. Aqui escolhi propor algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo. Neste quadro e com base na doutrina da Constituição dogmática Lumen gentium, decidi, entre outros temas, de me deter amplamente sobre as seguintes questões:

a) A reforma da Igreja em saída missionária. b) As tentações dos agentes pastorais. c)  A Igreja vista como a totalidade do povo de Deus que evangeliza. d) A homilia e a sua preparação. e)  A inclusão social dos pobres. f)  A paz e o diálogo social. g)  As motivações espirituais para o compromisso missionário.

18. Demorei-me nestes temas, desenvolvendo-os dum modo que talvez possa parecer excessivo. Mas não o fiz com a intenção de oferecer um tratado, mas só para mostrar a relevante incidência prática destes assuntos na missão atual da Igreja. De facto, todos eles ajudam a delinear um preciso estilo evangelizador, que convido a assumir em qualquer atividade que se realize. E, desta forma, podemos assumir, no meio do nosso trabalho diário, esta exortação da Palavra de Deus: «Alegrai-vos sempre no Senhor! De novo vos digo: alegrai-vos!» (Fl4, 4).

Capítulo I

A TRANSFORMAÇÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA

19. A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20). Nestes versículos, aparece o momento em que o Ressuscitado envia os seus a pregar o Evangelho em todos os tempos e lugares, para que a fé n’Ele se estenda a todos os cantos da terra.

I. Uma Igreja «em saída»

20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7). Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há-de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.

21. A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é uma alegria missionária. Experimentam-na os setenta e dois discípulos, que voltam da missão cheios de alegria (cf. Lc10, 17). Vive-a Jesus, que exulta de alegria no Espírito Santo e louva o Pai, porque a sua revelação chega aos pobres e aos pequeninos 

(cf. Lc10, 21). Sentem-na, cheios de admiração, os primeiros que se convertem no Pentecostes, ao ouvir «cada um na sua própria língua» (Act 2, 6) a pregação dos Apóstolos. Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além. O Senhor diz: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim» (Mc 1, 38). Ele, depois de lançar a semente num lugar, não se demora lá a explicar melhor ou a cumprir novos sinais, mas o Espírito leva-O a partir para outras aldeias.

22. A Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme (cf. Mc4, 26-29). A Igreja deve aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas.

23. A intimidade da Igreja com Jesus é uma intimidade itinerante, e a comunhão «reveste essencialmente a forma de comunhão missionária».Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo. A alegria do Evangelho é para todo o povo, não se pode excluir ninguém; assim foi anunciada pelo anjo aos pastores de Belém: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo» (Lc2, 10). O Apocalipse fala de «uma Boa Nova de valor eterno para anunciar aos habitantes da terra: a todas as nações, tribos, línguas e povos» (Ap 14, 6).

«Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar 

Fonte: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#I.__Alegria_que_se_renova_e_comunica
 

mai 31

EVANGELHO DE HOJE – ACESSE E LEIA

O Evangelho do dia

DOMINGO, 31 DE MAIO DE 2015 –

 Evangelho - Mt 28,16-20 –

Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra –

  Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 28,16-20 –

 Naquele tempo:

16 Os onze discípulos foram para a Galileia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: 'Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo'.

 Palavra da Salvação!

mai 31

LITURGIA DIÁRIA

Liturgia diária-2

LEITURAS SUGERIDAS PARA HOJE - 31/MAI/2015 –

 1ª Leitura - Dt 4,32-34.39-40

Salmo - Sl 32,4-5.6.9.18-19.20.22 (R.12b)

2ª Leitura - Rm 8,14-17

Evangelho - Mt 28,16-20

mai 31

O PAI, O FILHO E O ESPÍRITO SANTO

PAULO DAHER

31/05/2015 – SS. Trindade -

*Monsenhor Paulo Daher

 Glória ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito. Glória, quer dizer: Deus merece nosso elogio, a Deus devemos nosso ser, Deus é o Senhor de nossa vida.  O Pai nos deu a vida. O Filho  nos fez filhos queridos do Pai. Do Espírito Santo  recebemos o dom de amar. Jesus, o Filho de Deus Pai, mostrava sua união com Ele. Deus Pai o chama de Filho querido.  Cristo, este Filho muito amado mostra o seu amor sincero ao Pai. Para  entender que este Amor divino é eterno, como o Filho e o Pai, é chamado de Espírito Santo.

Nossa fé nos apresenta esta verdade da Santíssima Trindade para nos mostrar claramente quem somos, de onde viemos e para onde nos dirigimos. Nossa vida não tem sentido sem Deus. Mesmo que alguns neguem a presença de Deus, Ele está aí em toda a nossa vida. Nada se explica sem a presença e ação de Deus. Acreditando e aceitando que Deus caminha conosco devemos dar atenção a este amor. Os filhos pequenos se sentem felizes com a presença de seus pais. Nós nos sentimos seguros sabendo que um Amor terno vela sobre nós. A família em que há entendimento, união, todos se sentem bem e colaboram pela felicidade de cada um. Nossa religião lembra que pertencemos à grande Família de Deus, onde cada pessoa tem seu lugar e deve ajudar aos que ainda não pertencem a esta comunidade feliz. Nossa Igreja seguindo o que Cristo pediu,nos ensina esta verdade da Santíssima Trindade como certeza a guiar-nos pelos caminhos de nossa vida. E é em nome de Deus que recebemos todas as graças de nossa salvação. E a missão de nossa religião é levar esta notícia da presença de Deus que é nosso Pai e Amigo á vida de todas as pessoas.

 

*Monsenhor Paulo Daher é Sacerdote da Diocese de Petrópolis e, gentilmente, colabora com nosso blog enviando suas profundas reflexões, frutos de algumas décadas de vida consagrada e de experiência sacerdotal.

 

 

mai 31

A SANTÍSSIMA TRINDADE

JOSÉ E MARIA-2

Santíssima Trindade -

 *Mons. José Maria Pereira -

                      Depois de ter celebrado os mistérios da Salvação, desde o nascimento de Cristo (Natal) até a vinda do Espírito Santo (Pentecostes), a liturgia propõe-nos o mistério central de nossa fé, a fonte de tudo e à qual tudo deve voltar: a Trindade.

                    Santo Agostinho afirmou que é difícil encontrar uma pessoa que, falando da Trindade, saiba do que esteja falando (Confissões XIII,II). Trata-se de uma tarefa – como foi revelado em sonho a Santo Agostinho – não menos impossível do que aquela de uma criança que tenta esvaziar o mar usando uma concha.

                   Toda a vida da Igreja está impregnada pelo Mistério da Santíssima Trindade. E quando falamos aqui de mistério, não pensemos no incompreensível, mas na realidade mais profunda que atinge o núcleo do nosso ser e do nosso agir.

                 A revelação da Trindade é, portanto, uma cascata de amor: é o gesto supremo da condescendência divina para com o homem. Os gregos diziam: “ Nenhum Deus pode se misturar com o homem” ( Platão). Nosso Deus, em vez disso, se misturou com o homem; tramou sua vida com a do homem preparando-o para a comunhão eterna com ele.

                      Mas é Cristo quem nos revela a intimidade do mistério trinitário e o convite para que participemos dele. “Ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt, 11, 27). Ele revelou-nos também a existência do Espírito Santo junto com o Pai e enviou-o à Igreja para que a santificasse até o fim dos tempos; e revelou-nos a perfeitíssima Unidade de vida entre as Pessoas divinas (Cf. Jo16, 12-15).

                  O mistério da Santíssima Trindade é o ponto de partida de toda a verdade revelada e a fonte de que procede a vida sobrenatural e para a qual nos encaminhamos: somos filhos do Pai, irmãos e co-herdeiros do Filho, santificados continuamente pelo Espírito Santo para nos assemelharmos cada vez mais a Cristo.

           Por ser o mistério central da vida da Igreja, a Santíssima Trindade é continuamente invocada em toda a liturgia. Fomos batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, e em seu nome perdoam-se os pecados; ao começarmos e ao terminarmos muitas orações, dirigimo-nos ao Pai, por mediação de Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Muitas vezes ao longo do dia, nós, os cristãos repetimos: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

                  Meditando sobre a Trindade dizia S. Josemaria Escrivá: “Deus é o meu Pai! Se meditares nisto, não sairás dessa consoladora consideração.

                 Jesus é meu Amigo íntimo ! (outra descoberta), que me ama com toda a divina loucura do seu coração.

                    O Espírito Santo é meu Consolador!, que me guia nos passos de todo o meu caminho. Pensa bem, nisso. Tu és de Deus..., e Deus é teu” (Forja, nº2).

                    Desde que o homem é chamado a participar da própria vida divina pela graça recebida no Batismo, está destinado a participar cada vez mais dessa Vida. É um caminho que é preciso percorrer continuamente.

                      A Santíssima Trindade habita na nossa alma como num templo. E São Paulo faz-nos saber que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado (Cf. Rm 5, 5). E aí, na intimidade da alma, temos de nos acostumar a relacionar-nos com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo. Dizia Santa Catarina de Sena: “Vós, Trindade eterna, sois mar profundo, no qual quanto mais penetro, mais descubro, e quanto mais descubro, mais vos procuro”.

                      Imensa é a alegria por termos a presença da Santíssima Trindade na nossa alma! Esta alegria é destinada a todo cristão, chamado à santidade no meio dos seus afazeres profissionais e que deseja amar a Deus com todo o seu ser; se bem que, como diz Santa Teresa, “há muitas almas que permanecem rodando o castelo (da alma), no lugar onde montam guarda as sentinelas , e nada se lhes dá de penetrar nele. Não sabem o que existe em tão preciosa mansão, nem quem mora dentro dela”. Nessa “preciosa mansão”, na alma que resplandece pela graça, está Deus conosco: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

                         Desde pequenos, aprendemos de nossos pais a fazer o sinal da cruz e chamar a Deus: de Pai, Filho e Espírito Santo.

                         Assim com toda a naturalidade, estávamos invocando o mistério mais profundo de nossa fé e da vida cristã: Santíssima Trindade que hoje celebramos.

                          Só Cristo nos revelou claramente essa verdade: Fala constantemente do Pai: Quando Felipe diz: “Mostra-nos o Pai...”, Jesus responde: “Felipe... quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,8).

                           Jesus promete o Espírito Santo: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena Verdade”.

                         Quando se despede, no dia da Ascensão, afirma: “Ide... e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

                             A contemplação e o louvor à Santíssima Trindade são a substância da nossa vida sobrenatural, e esse é também o nosso fim: porque no Céu, junto de Nossa Senhora – Filha de Deus Pai, Mãe de Deus Filho, Esposa de Deus Espírito Santo: mais do que Ela, só Deus - , a nossa felicidade e o nosso júbilo serão um louvor eterno ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Estes vieram em nós no Batismo. Estabeleceram em nós sua habitação e nos são mais íntimos do que nós mesmos, diz Santo Agostinho. Em seu nome e no diálogo com eles desenvolve-se toda a nossa vida de fé, desde o berço até o túmulo. No limiar da existência fomos batizados “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. No ocaso dela, partiremos deste mundo ainda “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

                     Fazendo o sinal da Cruz, nós declaramos a cada vez, nossa vontade de pertencer à Trindade.

* Monsenhor José Maria Pereira é sacerdote da Diocese de Petrópolis e Reitor do Seminário Diocesano Nossa Senhora do Amor Divino Petrópolis-RJ e envia, também para o nosso Blog, a homilia dos domingos.

   

mai 31

ENCÍCLICAS EM PERSPECTIVA – PARTE IV

mater et magistra

MATER ET MAGISTRA (15/05/1961) - PARTE IV - 

              Dando continuidade ao trabalho de divulgação, total ou parcial, das diversas Encíclicas e de outros documentos da Igreja Católica Apostólica Romana que são, conforme já ressaltamos, documentos de enorme relevância para a evangelização, e que têm por finalidade, promover a harmonia, a paz social e o crescimento espiritual de todos os cristãos, de um modo geral, e dos católicos em particular.              Estamos, no momento, divulgando partes significativas da Encíclica Mater et Magistra, publicada a 15 de maio de 1961 pelo então Papa João XXIII. Trata-se, conforme já destacamos anteriormente, de uma Carta longa, porém, de gigantesca importância para a Igreja, por meio da qual Sua Santidade evoca para a Santa Madre Igreja a condição de acolhedora de todos os homens e, ao mesmo tempo, de promotora da paz social à luz dos ensinamentos de Jesus com a finalidade de conduzir o rebanho na direção da unidade e da constante busca da vida em toda a sua plenitude.               Prosseguiremos hoje com a parte da Mater et Magistra que levou S.S. o Papa João XXIII não só recordar os ensinamentos da Carta Rerum Novarum, de Leão XIII, mas, e sobretudo, dar ênfase à questão relacionada com o trabalho humano e a forma mais justa e equânime de remunerá-lo, afirmando:

AS EXIGÊNCIAS DA JUSTIÇA QUANTO ÀS ESTRUTURAS PRODUTIVAS

82. A justiça há de respeitar-se, não só na distribuição da riqueza, mas também na estrutura das empresas em que se exerce a atividade produtiva. Na verdade, exige a natureza que os homens, no exercício da atividade produtiva, encontrem possibilidade de empenhar a própria responsabilidade e aperfeiçoar o próprio ser.

83. Por isso, quando as estruturas, o funcionamento e o condicionalismo de um sistema econômico comprometem a dignidade humana dos que nele trabalham, entorpecem sistematicamente o sentido da responsabilidade ou impedem que a iniciativa pessoal se manifeste, tal sistema é injusto, mesmo se, por hipótese, a riqueza nele produzida alcança altos níveis e é distribuída segundo as regras da justiça e da equidade.

Confirmação de uma diretriz

84. Não é possível determinar, em pormenor, quais as estruturas do sistema econômico que melhor correspondem à dignidade humana e mais eficazmente desenvolvem o sentido da responsabilidade. Contudo, o nosso predecessor Pio XII indica oportunamente esta diretriz: “A propriedade agrícola pequena e média, a artesanal e profissional, comercial e industrial, deve ser assegurada e promovida; as uniões cooperativistas devem garantir-lhes as vantagens próprias da grande exploração; e nas grandes explorações deve ficar aberta a possibilidade de suavizar o contrato de trabalho pelo contrato da sociedade”.

Empresas artesanais e cooperativas de produção

85. Devem-se conservar e promover, de harmonia com o bem comum e conforme as possibilidades técnicas, a empresa artesanal, a exploração agrícola familiar, e também a empresa cooperativista, como integração das duas precedentes.

86. Mais adiante, voltaremos a falar da empresa agrícola familiar. Aqui, julgamos oportuno algumas observações acerca da empresa artesanal e das cooperativas.

87. Antes de mais, é preciso notar que ambas as empresas, para conseguirem viver, devem adaptar-se constantemente nas estruturas, no funcionamento e nos tipos de produtos às situações sempre novas, determinadas pelos progressos das ciências e das técnicas, e ainda pela variação nas exigências e preferências dos consumidores. Adaptação que tem de realizar, primeiro que todos, o artesanato e os sócios das cooperativas.

88. Para este fim, é necessário que uns e outros possuam uma boa formação não só técnica mas também humana, e se encontrem organizados profissionalmente; e é também indispensável que se exerça uma política econômica apropriada, no que diz respeito sobretudo à instrução, ao regime fiscal, ao crédito e à previdência social.

89. Por outro lado, a ação dos poderes públicos em favor do artesanato e dos sócios das cooperativas encontra-se também justificada pelo fato de representar categorias a que pertencem valores humanos genuínos e que contribuem para o progresso da civilização.

90. Por estes motivos, convidamos, com amor paternal, os nossos caríssimos filhos, artífices e sócios das cooperativas, espalhados pelo mundo inteiro, a tomarem consciência da nobreza da sua profissão e da importância do que fazem para nas comunidades nacionais se manter o sentimento da responsabilidade e espírito de colaboração, e se conservar vivo o amor do trabalho perfeito e original.

Presença ativa dos trabalhadores nas médias e grandes empresas

91. Seguindo na direção indicada pelos nossos predecessores também nós consideramos que é legítima nos trabalhadores a aspiração a participarem ativamente na vida das empresas, em que estão inseridos e trabalham. Não é possível determinar antecipadamente o modo e o grau dessa participação, dependendo eles do estado concreto que apresenta cada empresa. Esta situação pode variar de empresa para empresa, e, dentro de cada empresa, está sujeita a alterações muitas vezes rápidas e fundamentais. Julgamos contudo útil chamar a atenção para a continuidade da presença ativa dos trabalhadores, tanto na empresa particular como na pública; deve-se tender sempre para que a empresa se torne uma comunidade de pessoas, nas relações, nas funções e na situação de todo o seu pessoal.

92. Ora, isto exige que as relações entre empresários e dirigentes, por um lado, e trabalhadores, por outro, sejam caracterizadas pelo respeito, pela estima e compreensão, pela colaboração leal e ativa, e pelo amor da obra comum; e que o trabalho seja considerado e vivido por todos os membros da empresa, não só como fonte de lucros, mas também como cumprimento de um dever e prestação de um serviço. O que supõe, também, poderem os trabalhadores fazer ouvir a sua voz e contribuir para o bom funcionamento e o progresso da empresa. Observava o nosso predecessor Pio XII: “A função econômica e social, que todo o homem aspira a desempenhar, exige que a atividade de cada um não se encontre submetida totalmente à vontade alheia”. Uma concepção humana da empresa deve, sem dúvida, salvaguardar a autoridade e a eficiência necessária da unidade de direção; mas não pode reduzir os colaboradores de todos os dias à condição de simples e silenciosos executores, sem qualquer possibilidade de fazerem valer a própria experiência, completamente passivos quanto às decisões que os dirigem.

93. É de notar, por último, que o exercício da responsabilidade, por parte dos empregados nos organismos produtivos, não só corresponde às exigências legítimas, próprias da natureza humana, mas está também em harmonia com o progresso histórico em matéria econômica, social e política.

94. Infelizmente, como já indicamos e veremos ainda mais extensamente, não são poucos os desequilíbrios econômicos e sociais que ofendem hoje a justiça e a humanidade; e erros gravíssimos ameaçam as atividades, os fins, as estruturas e o funcionamento do mundo econômico. Apesar disso, não se pode negar que os regimes econômicos, sob o impulso do progresso científico e técnico, se vão hoje modernizando e tornando mais eficientes, a um ritmo muito mais rápido que antigamente. Isto exige dos trabalhadores aptidões e habilitações profissionais mais elevadas. Ao mesmo tempo e como consequência, encontram eles a sua disposição maior número de meios e mais extensas margens de tempo, para se instruírem e atualizarem e para aperfeiçoarem a própria cultura e a formação moral e religiosa.

95. Torna-se também possível aumentar os anos destinados à educação de base e à formação profissional das novas gerações.

96. Vai-se deste modo criando um ambiente humano que favorece a possibilidade de as classes trabalhadoras assumirem maiores responsabilidades mesmo dentro das empresas; e as nações têm cada vez maior interesse em que todos os cidadãos se considerem responsáveis pela realização do bem comum, em todos os setores da vida social."

(Fonte da Encíclica: Documentos de João XXIII – São Paulo. Paulus. 1998. 391 p.)

mai 31

ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA

Palavra do Senhor-2

ISAÍAS 62, 1-5 -

1 Por amor a Sião, eu não me calarei, por amor de Jerusalém, não terei sossego, até que sua justiça brilhe como a aurora, e sua salvação como uma flama. 2 As nações verão então tua vitória, e todos os reis teu triunfo. Receberás então um novo nome, determinado pela boca do Senhor. E tu serás uma esplêndida coroa na mão do Senhor, um diadema real entre as mãos do teu Deus;4 não mais serás chamada a desamparada, nem tua terra, a abandonada; serás chamada: minha preferida, e tua terra: a desposada, porque o Senhor se comprazerá em ti e tua terra terá um esposo; 5 assim como um jovem desposa uma jovem, aquele que te tiver construído te desposará; e como a recém-casada faz a alegria de seu marido, tu farás a alegria de teu Deus.

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