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Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por mês: dezembro 2014

dez 31

SANTO DO DIA

São Silvestre

- SÃO SILVESTRE I -

Hoje é dia de São Silvestre I, Papa de 314 a 335. Sucedeu a São Melcíades na Cátedra de São Pedro, em 314, numa época muito importante para a Igreja, que saía das catacumbas após o édito de Milão, em 313.
São Silvestre estabeleceu as bases doutrinais e disciplinares, que requeriam a Igreja em um novo contexto social e político em que o cristianismo se tornava a religião oficial do Império Romano.
Fora da clandestinidade e livre das perseguições, a Igreja contou com o apoio e a sagacidade do Papa Silvestre para dar início à sua organização visível, aceitando a colaboração e a amizade do Imperador Constantino, que doou ao Papa o Palácio de Latrão, no qual instalou a sua Cátedra e instituiu a Basílica de Latrão com o igreja catedral de Roma..
Os cristãos já não eram mais perseguidos e repudiados, podendo professar a sua crença abertamente. E mais ainda, o próprio Imperador tomava a iniciativa de construir as primeiras basílicas, onde o povo pudesse se reunir por ocasião das grandes solenidades, construindo, assim, as igrejas de São Pedro, no Vaticano; a de Santa Cruz, no Palácio Sessoriano; a de São Lourenço, fora dos muros; e a de São Martinho, perto dos banhos de Diocleciano, hoje conhecida como Igreja de São Silvestre e de São Martinho.
Se, por um lado, a tolerância religiosa contribuiu para a consolidação do catolicismo, por outro empanou a figura de São Silvestre, abrindo um precedente e um difícil entrosamento entre a Igreja e o Estado. Essa aliança se explicava por força das circunstâncias do tempo, quando a Igreja saía de um período de perseguição que já se arrastava há 250 anos. Foi sob São Silvestre que se realizou o primeiro concílio ecumênico da história da Igreja - o Concílio de Niceia, em 325 - onde se definiu a divindade de Cristo. E o curioso é que este Concílio foi convocado justamente pelo Imperador Constantino, tal era sua influência nos assuntos eclesiásticos. São Silvestre foi um dos primeiros santos não-mártires cultuado pela Igreja.
Morreu em 335 e foi enterrado no Cemitério de Priscila, na Via Salaria.
São Silvestre é modelo do papa, líder no seu tempo, que soube captar o momento histórico em favor da consolidação da Igreja.
(fontes: HOMEM, Dom Edson de Castro. Nossos Santos de Cada Dia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2012 – ALVES, J. Os Santos de Cada dia. São Paulo. Paulinas. 1990)
 

dez 31

SEMENTES DE VIDA

corrida contra o tempo

- UM TEMPO PARA CADA COISA - Ecl 3, 1-22 -

1 Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: 2 tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; 3 tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para construir; 4 tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; 5 tempo para atirar pedras, e tempo para ajuntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se. 6 Tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; 7 tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; 8 tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz. 9 Que proveito tira o trabalhador de sua obra? 10 Eu vi o trabalho que Deus impôs aos homens: 11 todas as coisas que Deus fez são boas, a seu tempo. Ele pôs, além disso, no seu coração a duração inteira, sem que ninguém possa compreender a obra divina de um extremo a outro. 12 Assim eu concluí que nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida; 13 e que comer, beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus. 14 Reconheci que tudo o que Deus fez subsistirá sempre, sem que se possa ajuntar nada, nem nada suprimir. Deus procede desta maneira para ser temido. 15 Aquilo que é, já existia, e aquilo que há de ser, já existiu; Deus chama de novo o que passou. 16 Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniquidade ocupa o lugar da justiça. 17 Então eu disse comigo mesmo: Deus julgará o justo e o ímpio, porque há tempo para todas as coisas e tempo para toda a obra. 18 Eu disse comigo mesmo a respeito dos homens: Deus quer prová-los e mostrar-lhes que, quanto a eles, são semelhantes aos brutos. 19 Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade. 20 Todos caminham para um mesmo lugar, todos saem do pó e para o pó voltam. 21 Quem sabe se o sopro de vida dos filhos dos homens se eleva para o alto, e o sopro de vida dos brutos desce para a terra? 22 E verifiquei que nada há de melhor para o homem do que alegrar-se com o fruto de seus trabalhos. Esta é a parte que lhe toca. Pois, quem lhe dará a conhecer o que acontecerá com o volver dos anos.?

dez 30

CATEDRAL SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA – PETRÓPOLIS

Acesse o site abaixo:

 http://www.catedraldepetropolis.org.br

dez 30

COISAS DA FILOSOFIA

Filosofia

- O UNIVERSO E AS CRIATURAS - TIMEU E CRÍTIAS[1] - 

 
             Timeu e Crítias, ao lado de A República, é um dos livros mais conhecidos e lidos de Platão. Trata-se do diálogo entre Sócrates, Crítias, Timeu e Hermócrates, onde, por meio dos discursos racional e mítico e tendo ao fundo a Atlântida, Platão revela sua visão acerca da criação, de Deus e da Alma. Aqui, nesse reduzido espaço, vamos reproduzir, inicialmente, alguns trechos da fala de Timeu sobre o universo e seu criador para, em seguida, prosseguirmos com outros trechos igualmente polêmicos e interessantes até os dias atuais.
            Instigado por Crítias, que vê nele o “nosso melhor astrônomo”, e sob a curiosidade de Sócrates, Timeu aceita o desafio de falar sobre o universo, seu criador e a natureza do ser humano. A conversa principia com a solene provocação de Sócrates:
Sócrates: Pelo que parece, obterei um completo e brilhante banquete de discursos a título de retribuição. Assim sendo, ó Timeu, parece que cabe a ti falar em seguida, após teres invocado devidamente aos deuses.
Timeu: Não há dúvida, ó Sócrates, que o farei, uma vez que qualquer pessoa que tenha o mínimo de senso sempre invoca a um deus antes de empreender toda tarefa, seja esta pequena ou grande. No que tange a nós, que temos a pretensão de proferir um discurso acerca do universo, de como foi sua origem, se é que a houve, é necessário que invoquemos deuses e deusas - se não quisermos caminhar inteiramente sem rumo - orando para que tudo aquilo que dissermos comece por ter a aprovação deles e, em segundo lugar, a nossa. Que seja essa, portanto, nossa invocação aos deuses; quanto a nós, apelamos a nós mesmos no sentido de que tu possas aprender tão facilmente quanto possível e eu possa realizar uma exposição maximamente clara da matéria que se desdobra diante de nós.
Penso que temos que começar com a seguinte distinção: o que é aquilo que sempre é e não tem vir a ser e aquilo que é vir a ser e jamais é? Um desses é apreendido pelo pensamento graças ao discurso racional, visto que é sempre uniformemente existente; quanto ao outro, constitui objeto da opinião graças à sensação irracional, visto que se mantém num processo de transformação (o vir a ser), perece e nunca é realmente. Por outro lado, tudo quanto vem a ser necessariamente vem a ser devido a alguma causa, pois na ausência de uma causa a consecução do vir a ser é impossível para qualquer coisa. Quando o artífice de uma coisa, ao criar sua forma e função, conserva seu olhar, empregando um modelo, no que é perpetuamente imutável, a coisa criada resultante é necessariamente bela; todavia, toda vez que contempla aquilo que vem a ser e utiliza um modelo criado, a coisa resultante não é bela. Ora, no que toca a todo o céu, ou universo ordenado - chamemo-lo pelo nome mais preferível dependendo do contexto - há uma questão que requer ser respondida em primeira instância, a saber, se sempre existiu, não tendo um princípio, ou se passou a existir (veio a ser) a partir de um princípio. A resposta é que veio a ser. De fato, ele é visível, tangível e possui um corpo, estando tudo isso vinculado ao sensível; ora, coisas sensíveis, como vimos, são apreendidas pela opinião, o que envolve a percepção sensorial, e como tais são coisas que vêm a ser, ou seja, coisas que são geradas. Além disso, aquilo que veio a ser, como dissemos, veio a ser necessariamente por ação de alguma causa. Ora, constitui uma tarefa e tanto descobrir o criador e pai deste universo, e mesmo que eu o descobrisse, anunciá-lo a todos seria impossível. Assim, mais vale retornarmos e suscitarmos a seguinte questão: qual dos modelos foi usado pelo construtor para construí-lo? Foi aquele que permanece idêntico a si mesmo e imutável, ou aquele que veio a ser? Ora, se o universo ordenado é belo e seu artífice bom, fica evidente que ele fixou seu olhar no eterno. Porém, se fossem eles o contrário disso - suposição que, por si só, desacata as leis divinas - seu olhar teria pousado sobre aquilo que veio a ser. Entretanto, está universalmente evidente que seu olhar pousou no eterno, uma vez que o universo ordenado é, de tudo que veio a ser, o mais belo, e ele a melhor entre todas as causas. A conclusão é que tendo assim vindo a ser, [o universo ordenado] foi construído de acordo com o que é apreensível pelo discurso racional e a inteligência, e que é idêntico a si mesmo.
Por outro lado, se admitimos ser as coisas assim, torna-se inteiramente necessário que esse universo ordenado seja uma imagem de alguma coisa. Com referência a qualquer assunto, é de suma importância partir do princípio natural. Em consonância com isso, quando nos ocupamos de uma imagem e seu modelo, cabe-nos afirmar que as próprias explicações dadas terão afinidade com as diversas coisas que explicam. Assim, explicações que dizem respeito ao que é estável, fixo e discernível ao entendimento, são elas mesmas estáveis e inabaláveis; na medida do possível, é necessário tornar essas explicações tão irrefutáveis e invencíveis quanto o pode ser qualquer explicação. Por outro lado, explicações que damos daquilo que foi formado como imagem por semelhança do real, posto que são explicações do que é uma semelhança, são dotadas de probabilidade, seu status guardando a proporcionalidade com as anteriores explicações, pois tal como o ser é para o vir a ser, é a verdade para a crença. Consequentemente, Sócrates, não fiques surpreso se na nossa abordagem de um grande número de matérias envolvendo os deuses e o vir a ser do universo nos mostrarmos incapazes de apresentar explicações sempre e em todos os aspectos completamente coerentes e exatas; pelo contrário, ficaremos satisfeitos se formos capazes de oferecer explicações que não sejam inferiores à de outros quanto à probabilidade, lembrando que eu, que falo, e vós que julgais [meu discurso] não passamos de criaturas humanas, cabendo-nos aceitar a narrativa provável dessas matérias e nos abstermos de investigar além dela.
Sócrates: Esplêndido, Timeu! Temos, decididamente, que aceitá-lo da forma que sugeres, e teu prelúdio foi maravilhoso. Assim, pedimos que vás em frente com o assunto principal.
Timeu: Bem, estabeleçamos agora a causa de o construtor haver construído o vir a ser e o universo. Ele era bom e aquele que é bom jamais ...”

         CONTINUA!

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             [1] PLATÃO. Timeu e Crítias ou A Atlântida. São Paulo. Edipro. 191 p.

dez 30

SANTOS DO DIA

Mozaico dos Santos e Santas

- SANTO ANÍSIO -

Hoje é dia de Santo Anísio, bispo. Sucedeu ao bispo Ascólio, na sede episcopal de Tessalônica, no ano de 383. Santo Ambrósio escreveu-lhe uma carta, chamando-o de zeloso discípulo de Ascólio, desejando que fosse um segundo Eliseu para seu Elias, em alusão ao fato de que um profeta sucede ao outro.
O Papa São Dâmaso o nomeou vigário patriarcal do Iríaco. Tornou-se firme e corajoso defensor de São João Crisóstomo e foi a Constantinopla a fim de sustentar a sua causa contra Teófilo de Alexandria. Em 404, apelou ao Papa Inocêncio com outros 15 bispos para que julgasse a causa em razão da qual Crisóstomo foi expulso da sua sede. São João Crisóstomo escreveu-lhe uma carta de agradecimento.
Morreu no ano 410. Teve suas virtudes exaltadas pelos papas Santo Inocêncio I e São Leão Magno.
Santo Anísio é modelo de defensor da fé, bispo zeloso e apostólico.
Celebramos também os santos: Sabino, Exuperâncio, Marcelo e Venustiano.
"Em Espoleto, a festa dos Santos Sabino, bispo de Assis; Exuperâncio e Marcelo, diáconos; Venustiano, prefeito, com esposa e filhos, mártires sob o imperador Maximiano. Marcelo e Exuperâncio atormentados no cavalete, maltratados a bastonadas, rasgados com as unhas de ferro, queimados nas costas, cumpriram o martírio. Pouco depois, Venustiano, com a esposa e os filhos, foram mortos pela espada. Quanto a São Sabino, depois de ter as mãos cortadas, foi espancado até morrer. Embora o martírio destes santos ocorresse em datas diferentes, a festa celebra-se no mesmo dia" (Martirológico Romano)
(fontes: HOMEM, Dom Edson de Castro. Nossos Santos de Cada Dia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2012 - ALVES, J. Os Santos de Cada dia. São Paulo. Paulinas. 1990)
 

dez 29

SANTO DO DIA

Mozaico dos Santos e Santas

- SANTO TOMÁS BECKET -

Hoje é dia de Santo Tomás Becket (1118-1170), bispo e mártir. Nascido em Londres, foi enviado para Merton, s fim de estudar com os cônegos regrantes. Aos 24 anos, já órfão de pai e mãe, conseguiu empregar-se na casa do arcebispo de Cantuária, chamado Theobaldo. Este lhe favoreceu muitíssimo.

Em 1154, foi ordenado diácono e, posteriormente, nomeado arquidiácono de Cantuária. Com a morte do arcebispo, o rei Henrique II o escolheu como primaz da Cantuária. Foi ordenado sacerdote, a 3 de junho de 1162, e consagrado um dia depois.

Tornou-se defensor intransigente da Igreja em face dos desmandos do rei. Por isso, teve de se exilar na França, vivendo uma vida ascética em um mosteiro cisterciense.

Graças aos conselhos do Papa Alexandre III, voltou a Cantuária, e foi acolhido entusiasticamente pelo povo. Repudiou, então, os bispos que haviam feito pacto com o rei, aceitando as Constituições.

No dia 29 de dezembro de 1170 foi dilacerado no templo a golpes de espada por quatro cavaleiros. Faleceu murmurando: "Aceito a morte pelo nome de Jesus e pela Igreja."  Cortaram-lhe o couro cabeludo e com a ponta da espada arrancaram-lhe o cérebro.

Santo Tomás Becket é modelo de fidelidade a Cristo e modelo de defesa da Igreja contra interesses dos nobres.

(fonte: HOMEM, Dom Edson de Castro. Nossos Santos de Cada Dia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2012)

dez 28

SEMENTES DE VIDA

cartas de Paulo

- EXEMPLO DA HUMILDADE DE CRISTO - Fl 2, 1-18 -

1 Se me é possível, pois, alguma consolação em Cristo, algum caridoso estímulo, alguma comunhão no Espírito, alguma ternura e compaixão, 2 completai a minha alegria, permanecendo unidos. Tende um mesmo amor, uma só alma e os mesmos pensamentos. 3 Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. 4 Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses, e sim os dos outros. 5 Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. 6 Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, 7 mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. 8 E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, 10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. 11 E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor. 12 Assim, meus caríssimos, vós que sempre fostes obedientes, trabalhai na vossa salvação com temor e tremor, não só como quando eu estava entre vós, mas muito mais agora na minha ausência. 13 Porque é Deus quem, segundo o seu beneplácito, realiza em vós o querer e o executar. 14 Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, 15 a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, 16 a ostentar a palavra da vida. Dessa forma, no dia de Cristo, sentirei alegria em não ter corrido em vão, em não ter trabalhado em vão. 17 Ainda que tenha de derramar o meu sangue sobre o sacrifício em homenagem à vossa fé, eu me alegro e vos felicito. 18 Vós outros, também, alegrai-vos e regozijai-vos comigo.

dez 28

SANTO DO DIA

Mozaico dos Santos e Santas

- SANTOS INOCENTES -

Hoje é dia dos Santos Inocentes, mártires. Herodes, que pretendia matar o Menino Jesus, percebendo que fora enganado pelos Magos, cujo retorno ao próprio país se deu por outro caminho, sem terem lhe avisado em que lugar a criança se encontrava, ficou muito irritado. Mandou matar em Belém e em seu território todos os meninos com idade inferior a dois anos.

Então, acrescentou o evangelista São Mateus: "cumpriu-se o que fora dito pelo profeta Jeremias. Ouviu-se uma voz em Ramá, choro e grande lamentação. Raquel chora seus filhos e não quer consolação porque não existe mais."

Essas crianças que morreram no lugar de Cristo são honradas como mártires e representam todos os inocentes arrancados dos braços de suas mães pela violência e lançados à morte. Hoje também representam os que foram e são vitimados pelo aborto.

Os Santos Inocentes servem de estímulo para todos os confessores e mártires da fé, que pública ou anonimamente sofrem por causa do nome de Jesus, participando do mistério da sua cruz, especialmente os que sofrem sem saber por quê.

(fonte: HOMEM, Dom Edson de Castro. Nossos Santos de Cada Dia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2012)

dez 27

AS PRIMEIRAS CLARISSAS NO BRASIL – FINAL

6.2 A busca da santidade:

- Por Frei Sandro Roberto da Costa, OFM -
Apesar das ambiguidades que marcaram o modo como a vida religiosas feminina se instaurou no Brasil, não poucas foram as mulheres que encontraram, dentro dos muros do convento, o caminho da santidade. A rigor, a história se ocupa dos acontecimentos e fatos extraordinários, das polêmicas, dos grandes feitos e dos grandes personagens. O cotidiano, o dia-a-dia das pessoas discretas e humildes, que não deixaram documentos escritos, dificilmente são alcançados pelos pesquisadores. Também no convento do Desterro, da Lapa e da Ajuda, em que pese o imaginário criado pela literatura folhetinesca colonial, podemos destacar espíritos profundamente piedosos, dedicados à busca da perfeição, à vivência dos ideais do espírito, no cultivo discreto e diário da vocação religiosa no silêncio das celas. A imagem de mulheres forçadas à clausura, infelizes, buscando todos os meios para preencher a frustração de uma vocação não escolhida, contrapõe-se o testemunho de mulheres que optaram livremente pela clausura, que buscaram e encontraram, nos claustros, o caminho da realização. A historiadora Maria Beatriz Nizza da Silva relata alguns casos de mulheres que declararam categoricamente, diante das autoridades, sua livre opção pela vida no claustro, independente de pressões familiares.39
Rocha Pita anotava nas primeiras décadas de 1700, sobre as religiosas do convento do Desterro: “Foi crescendo com o amor de Deus a pureza das religiosas em tal grau, que se competiam em santidade, e faleceram algumas admiráveis em prodigiosa penitência e com notável opinião...”.40 O mesmo autor destaca, quando fala das primeiras que ingressaram no convento do Desterro, que, ao lado daquelas que ali foram colocadas pelos pais, também entraram outras que “pretendendo conservarem o estado virginal e florescerem em santas virtudes, desejavam servir a Deus nos votos e claustros da religião”.41 Frei João da Apresentação notava, também falando do Desterro em 1739: “Tem várias religiosas de vida exemplar...”.42
No convento da Lapa ficou célebre madre Joana Angélica de Jesus, que ali ingressou em 1782. Em 1822, no turbilhão dos tumultos que se seguiram à declaração da independência, a então abadessa, opondo-se tenazmente à invasão da clausura pelos soldados, foi morta a golpes de baioneta. Tombou defendendo a clausura e as irmãs de hábito.43

6.2.1 Madre Vitória da Encarnação

Entre os “perfis de virtude” do convento do Desterro, destaca-se uma personagem pouco conhecida, mas que marcou seu tempo pelo testemunho de fé e experiências místicas: irmã Vitória da Encarnação. Tal foi a fama desta religiosa, que o ilustre arcebispo da Bahia, D. Sebastião Monteiro da Vide, escreveu um livrinho relatando sua vida.44 Nascida no dia 6 de março de 1661, filha de Bartolomeu Correia e de Luiza Bixarxe, uma abastada família de Salvador, dizia quando criança que, ante a possibilidade de entrar num convento, preferia que lhe cortassem a cabeça. Após “visões terrificantes”, que continuaram na clausura, entrou, juntamente com a única irmã, para o convento de Santa Clara do Desterro, no dia 29 de setembro de 1686, aos 25 anos. Lá, tomou-se modelo de religiosa, segundo os parâmetros de então: “Madre Vitória só comia sentada no chão, jamais consumia came, estragava o sabor da comida com água e cinza. Todas as noites, carregava pesada cruz às costas, movendo-se de joelhos e trazendo coroa de espinhos à cabeça. Esbofeteava-se e usava cilícios para flagelar o corpo. Certa vez, pôs na boca, para flagelar-se, a canela de um defunto em avançado estado de decomposição, o que lhe causou uma crise de salivação por oito dias seguidos”.45
Madre Vitória se sobressaía às irmãs de hábito também no espírito de oração: “Passava noites inteiras diante do tabernáculo eucarístico, de joelhos, ou prostrada por terra, ou com os braços em cruz. Pontualíssima em todos os exercícios obrigatórios, ia além das exigências da regra. Acabava a comunidade a reza das matinas e saíam as religiosas; ela ficava, e prostrava-se então, e chorava rezando, pedindo a Deus perdão para si, e para todas a vida eterna”.46
As “visões” que tinham começado antes de ingressar no claustro, a acompanharam por toda a vida. Nestas experiências místicas, fazia visitas às almas do purgatório, e até o diabo lhe aparecia, em forma de um “molequinho negro”. Crescendo sua fama não só entre as irmãs de hábito, mas entre os moradores da cidade, foram-lhe atribuídos poderes taumatúrgicos, como o de, a exemplo de Santo Antônio, encontrar coisas perdidas. Faleceu em “odor de santidade”, no convento do Desterro, no dia 19 de julho de 1715.
Segundo Pedro Calmon, madre Vitória “encarnava... a austeridade intransigente das grandes místicas: serve de contraste à tradição que ficou, do amável convento do século XVIII”.47 Rocha Pita, por sua vez, falando da obra de D. Sebastião Monteiro da Vide, afirma que o mesmo “com voos de águia, soube registrar as luzes daquele extático sol”. Ainda sobre a vida de madre Vitória, escreve o historiador Pedro Calmon que “guarda-se no convento do Desterro, da Bahia, a piedosa memória de Sóror Vitória da Encarnação, ali falecida em 1715, e em cuja honra o arcebispo Dom Sebastião Monteiro da vide escreveu o livrinho famoso (1722). Na cela que foi de sóror Vitória, ainda se vê a ‘vera-effigie’, ali mandada colocar pelo prelado, que a conheceu, testemunhando-lhe as virtudes, com a biografia, e a fama, com o retrato”. E conclui, categórico, Pedro Calmon: “É necessário incluir no hagiológio brasileiro essa heroica figura de mulher...”.48
Rocha Pita ressalta que, além de madre Vitória da Encarnação, outras religiosas se destacavam pela virtude e piedade: “Porém não foram só a madre Vitória e as outras falecidas as que resplandeceram em prodígios no seu convento, porque ainda naquela grande esfera de virtudes há mais estrelas da mesma constelação”.49

Conclusão

O estudo da história da vida religiosa nos ajuda a compreender as ambiguidades e tensões que sempre existiram entre a busca da vivência dos ideais preconizados pelos fundadores, e a realidade concreta onde se dá essa vivência, mediada pelos fatores econômicos, políticos, sociais, e religiosos. Nesse sentido, o estudo do contexto em que se instalaram no Brasil as primeiras religiosas clarissas nos mostra que as religiosas do convento do Desterro foram religiosas do seu tempo. Apesar de viverem enclausuradas, estavam inteiramente inseridas na realidade sócio-política que as cercava, determinadas, na sua organização, nas estruturas e modo de conceber a vida religiosa, pelos fatores e mecanismos externos de uma sociedade ainda em formação, de uma sociedade em ebulição, que tateava em busca de respostas aos desafios que a cada momento surgiam. Nesta busca, os “recolhimentos” e “beatérios” foram uma resposta brasileira, dada com a criatividade e o dinamismo que, na história da vida religiosa, sempre caracterizou os espíritos que decidem dedicar-se totalmente ao serviço de Deus.
Os consagrados hoje, mulheres e homens, estão buscando, mais do que nunca, meios de corresponder com fidelidade ao carisma. “Volta às fontes”, “refundação”, têm sido alguns dos temas recorrentes nos últimos tempos. A história das instituições religiosas nos mostra que nem sempre foi assim. Não obstante tudo, mesmo num ambiente marcado pelo preconceito, pela segregação racial, pela hierarquização e pela dominação do mais forte sobre o mais fraco, houve mulheres e homens que conseguiram encontrar o caminho da realização e da santificação. Se, em nome da manutenção do status quo, muitas vezes os valores evangélicos foram ofuscados, na prática, no dia-dia, muitos religiosos e religiosas conseguiram, numa vida de devoção, de piedade e de experiência de Deus, manter acesa a chama da busca de uma vida coerente com os votos que um dia tinham professado.
Os mais tradicionais conventos de vida religiosa da colônia, passada sua fase de esplendor, entraram em decadência. A sociedade estava mudando, bem como seus valores e parâmetros. A própria imagem e posição da mulher na sociedade estava se modificando. Também a imagem da mulher religiosa. Com o advento do iluminismo, a vida religiosa sofre as mais duras críticas. No dia 19 de maio de 1855 o Ministro da Justiça assina um decreto imperial proibindo, em absoluto, a entrada de noviços nas ordens religiosas masculinas e femininas. Chegando quase à extinção no fim do século, algumas entidades conseguem como que renascer das cinzas. O mesmo não aconteceu com o convento de Santa Clara do Desterro. Em 1915 morria a última religiosa. Encerrava-se assim a primeira fase da história das religiosas clarissas no Brasil. Uma nova fase estava para começar. No dia 25 de setembro de 1928, sob a mediação do franciscano frei Rogério Neuhaus, chegavam de Düsseldorf, na Alemanha, oito religiosas clarissas. A partir da fundação do mosteiro de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula, no Rio de Janeiro, as irmãs clarissas se espalham de novo pelo Brasil. Sua presença silenciosa e discreta, na oração, na contemplação e no testemunho da pobreza evangélica, lembra a todos os franciscanos e franciscanas sua missão: fazer presente no Brasil a mensagem sempre necessária e atual da Paz e do Bem.
Endereço do autor: Convento Sagrado Coração de Jesus Caixa Postal: 90023 25689-900 - Petrópolis – RJ E-mail: sdacosta@itf.org.br
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39. História da família..., o.c., 230. 40. História da América Portuguesa, o.c., 186. 41. Idem, 185. 42. REB 642. 43. Sobre irmã Joana Angélica veja-se o artigo de irmã Lindinalva de Maria, Madre Joana Angélica de Jesus, in Brasil Franciscano, FFB, Petrópolis 1998, 101-111. 44. A obra, à qual não tivemos acesso, intitula-se: História da vida e morte de madre soror Vitória da Encarnação, religiosa do Convento de Santa Clara do Desterro da Cidade da Bahia, e foi impressa em Roma, em 1720. O autor, Dom Sebastião Monteiro da Vide, português, foi o quinto arcebispo da Bahia (1701-1722), e tomou-se célebre, entre outras coisas, pela realização do sí- nodo diocesano que teve lugar em Salvador, entre 12 e 14 de junho de 1707. Como resultado deste sínodo saíram as Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, publicadas em Portu¬gal em 1719 e 1720. NEVES, G. P., D. Sebastião Monteiro da Vide, in Dicionário de História do Brasil Colonial, o.c., 180. O insigne historiador professor Riolando Azzi informa que foi publicada, em 1934, pela escritora baiana Amélia Rodrigues, uma versão atualizada da obra de D. Se¬bastião sobre madre Vitória. Cfr. AZZI, R., A Sé Primacial de Salvador. A Igreja Católica na Ba¬hia (1551-2001), vol. I, Vozes -Ucsal, Petrópolis - Salvador 2001, 391.
45. VAINFAS, R., Madre Vitória da Encarnação, in Dicionário de História do Brasil Colonial, o.c., 362-363.
46. RODRIGUES, A., Uma flor do Desterro, Escolas Profissionais Salesianas, Niterói 1934, cita¬do em AZZI, R., A Sé Primacial de Salvador..., o.c., 392. Por passar longo tempo ajoelhada, “se lhe formaram nos joelhos empolas de sangue, as quais cortava com a tesoura, e depois de feitas em chagas as esfregava com sal e limão para sararem, como dizia às que a viam impossibilitada para as adorações externas”. Idem, 393. 47. História social do Brasil, o.c., 188. 48. Idem. 49. História da América Portuguesa, o.c., 186.

dez 27

SANTO DO DIA

Mozaico dos Santos e Santas

- SÃO JOÃO EVANGELISTA -

Hoje é dia de São João Evangelista, apóstolo. Nasceu em Betsaida, filho de Zebedeu e de Salomé, era irmão de São Tiago Maior. Exercia a profissão de pescador, até ser chamado pelo Senhor Jesus para integrar os doze apóstolos. Tornou-se conhecido como discípulo que Jesus amava, que permaneceu com Ele aos pés da cruz e que recebeu Maria em sua casa como mãe.

A ele se atribui a autoria do quarto Evangelho, do Apocalipse e de duas Cartas católicas. Está entre as colunas da Igreja, juntamente com São Pedro e São Tiago, conforme expressão usada por São Paulo na Carta aos gálatas.

Teria vivido em companhia da Mãe de Jesus em Éfeso. Após o exílio em Patmos, retornou a Éfeso, morreu bastante idoso, entre os anos 98 e 100.

São João Evangelista é modelo de intimidade com Jesus, que lhe revelou os segredos do seu coração.

 
(fonte: HOMEM, Dom Edson de Castro. Nossos Santos de Cada Dia. Rio de Janeiro: Casa da Palavra. 2012)

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