Lisaac

Sementes de vida, ������© tempo de semear

Arquivo por mês: outubro 2014

out 11

PASTORAL DA SAÚDE

A PASTORAL DA SAÚDE DEVE CUIDAR DOS DOENTES ESPIRITUAIS TAMBÉM

 

                                                             É muito comum, nos dias de hoje, encontrarmos nas grandes e médias paróquias da Igreja Católica a atividade dos fieis organizada em pastorais: da família, da saúde, carcerária, do jovem, da catequese etc. A maioria dessas pastorais funciona bem e revela resultados bastantes animadores. Entretanto, algumas anotações devem ser feitas, a fim de que o trabalho flua com mais intensidade ainda e, se possível, com resultados mais significativos. É o caso, por exemplo, das pastorais da saúde, dos doentes ou dos enfermos, conforme o caso. Essas pastorais, normalmente, ficam limitadas às visitas aos hospitais e às casas dos enfermos, para breves orações e, com a presença do Ministro da Eucaristia ou do diácono, a distribuição da Sagrada Comunhão. Essas tarefas, por si só, já são por demais engrandecedoras e bastante louváveis. Entretanto, algo mais precisa ser avançado nesse trabalho tão importante.

                                                É preciso avançar sobre o rebanho doente do espírito, para cuidar-lhe as feridas e amenizar-lhe as dores d’alma. E de que modo isso pode ser feito? De modo bastante simples e objetivo: ouvindo os desabafos e promovendo o aconselhamento sempre voltado para a Palavra e para os ensinamentos do Senhor. Quantas pessoas estão angustiadas por causa de mal entendidos em família, na comunidade, no trabalho e nas relações sociais, ou mesmo eclesiais, e que precisam desabafar com alguém que lhes possa ouvir e ofertar uma palavra de consolo, com indicativo de tomada de atitudes proativas, capazes de devolver a paz e a alegria antes existentes. Nessa tarefa, os membros dessa pastoral podem, inclusive, incitar o “doente” da alma a procurar, ou aceitar receber em sua casa, o padre, para uma confissão, por meio da qual poderá obter o perdão dos pecados e receber, então, a Sagrada Eucaristia, como verdadeiro remédio para o corpo e para a alma. Aquele que não está doente fisicamente pode locomover-se até a igreja, se possível, acompanhado por um membro da pastoral, que o apresentará ao padre. É como acontece nos grandes restaurantes: quando chegamos na entrada, alguém está ali, pronto para nos receber e para nos encaminhar para o interior da casa, onde buscamos assento no lugar que mais nos agrada e, depois de uma boa refeição, saímos felizes da vida, embora tenhamos deixado um bom pagamento no caixa. Aqui, também, o paciente espiritual, ao chegar na sede da sua paróquia, deve ser recebido por um membro da pastoral da saúde, que logo o encaminha para o padre, que vai ouvi-lo em confissão, perdoar-lhe os pecados, indicar-lhe uma breve penitência de arrependimento e, ao final, essa criatura sairá de lá uma pessoa renovada em Cristo. Este, sim, poderá ser um trabalho de resgate muito positivo, significativo e importante para o bem estar de toda a Igreja. O doente físico, ao ficar curado da sua enfermidade, quase sempre depois de ser submetido a uma cirurgia, sente-se bastante grato ao médico e àqueles que cuidaram dele durante o período de convalescença, nunca se esquecendo de testemunhar as dádivas recebidas.

                                                      O mesmo ocorre com o enfermo do espírito: após uma boa conversa, uma oração profunda, uma confissão e uma comunhão, tudo muda na vida da pessoa e ela passa a ser uma nova criatura. A gratidão, então, é quase que certa e, com ela, vem o desejo de testemunhar as graças recebidas e, o grande trunfo, a vontade de auxiliar no cuidado de outras almas adoentadas. O trabalho até então desenvolvido precisa ser revisto e os sacerdotes precisam providenciar a preparação das equipes responsáveis pela pastoral da saúde, a fim de dotá-las de condições para o desempenho de função tão maravilhosa. O corpo de fieis é frequentado por muitas pessoas instruídas na Palavra de Deus com, inclusive, instruções acadêmicas em outras áreas do conhecimento, como a própria medicina, e são pessoas que podem muito bem contribuir com esse trabalho de suma importância. É preciso, antes de tudo, humildade, tanto dos padres como das equipes que compõem as referidas pastorais. Humildade, para perceber e aceitar a necessidade de mudança de rumos, a fim de ganhar em número e em qualidade. É preciso, também, disponibilidade dos mais instruídos para auxiliarem na formação e no aprimoramento dos menos instruídos. Por fim, é necessário um trabalho extra, de estatística, a fim de registrar e de contabilizar os resultados apurados, com relato do cenário anterior e posterior à mudança de rumo. Não é possível que passemos mais uma geração fazendo a mesma coisa e do mesmo jeito que era feito há cinquenta anos atrás. A história mudou, tudo mudou. Hoje prevalece, ou deve prevalecer, o diálogo aberto, franco e sincero. E todos devem ser convidados a tomar parte desse diálogo, inclusive, os doentes do corpo e da alma. Eis aí a sugestão. Espera-se que alguém tenha coragem para testá-la. Certamente haverá um corajoso. Depois, todos os outros veem atrás, em fila, cada qual buscando a paternidade da ideia, tão produtiva que será.

Apoio: