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12 DE OUTUBRO: NOSSA SENHORA DE APARECIDA, PADROEIRA DO BRASIL

APARECIDA - TREZENTOS ANOS

A SENHORA DE APARECIDA E AS MENSAGENS VINDAS DAS ÁGUAS –

*Por Luiz Antonio de Moura –

Deus, na sua esplendorosa sabedoria, no processo de criação deixou ao nosso dispor, e em abundância, quatro elementos essenciais para o ciclo da vida: a água, o fogo, a terra e o ar. Criou-os sem qualquer espetacularidade e sem mesmo qualquer menção especial na narrativa do Livro do Gênesis, à exceção da separação das águas entre si, as de cima e as de baixo, e do elemento árido, terra.

Entretanto, ao longo da caminhada do homem sobre a terra, os quatro elementos têm se revelado vitais. Não apenas para a sobrevivência do ser humano, mas, e, sobretudo, para as diversas manifestações sobrenaturais do Criador e para o constante e infinito ciclo da vida. O homem vem do pó e ao pó retorna. O pó se transforma em húmus e em terra novamente. Na terra, banhada pela água e respirando o ar, germinam e crescem a erva, a verdura e a gramínea que alimentam homens e animais. E assim, sucessivamente, e em constante interdependência, os quatro elementos vão sendo entrelaçados entre si de tal forma, que a vida neles é permanente, sem ruptura e sem trégua. A vida, simplesmente, continua e se renova dia-a-dia, sem fim.

Da terra, os animais, as plantas e os homens. Da água, os peixes (alimento físico), a renovação (pelo dilúvio) e a reconciliação (por meio do batismo); do fogo, a provação (quanto à fidelidade) e a purificação (da alma) e; do ar, a respiração vital para os pulmões e para a força da alma (por meio do  Espírito Santo). Da conjunção destes quatro elementos, a vida, a luz, a força e o poder. Na essência de todos eles, a presença inconfundível de Deus.

Todo este prólogo é apenas para sublinhar que, no embalo das águas de um simples rio (o Paraíba) nasce a mensagem de Aparecida, pelas mãos de três pescadores que precisam de peixes para fazer agrado a gente de patente alta. Diante dos repetidos insucessos no lançamento das redes, que sempre retornam absolutamente vazias, recorrem à Virgem, Santa mãe de Deus, pedindo o auxílio precisado.

A resposta vem na rede, em forma de imagem destituída da cabeça. Causa assombro àqueles homens. No retorno das redes às águas, vem a cabeça que, espantosamente, encaixa-se perfeitamente na imagem deficiente. Era o primeiro milagre presenciado por aqueles pobres pescadores. Porém, o milagre maior estava a caminho: ao lançarem as redes novamente, sobem abarrotadas de peixes. Tantos, que tiveram que levar o barco até a margem para poderem retornar e continuar com o trabalho. Voltando para a cidade (Guaratinguetá), e contando o ocorrido, todo o povo presente compreende que alguma mensagem está sendo transmitida a partir daquela pescaria.

De fato, nasce ali uma devoção muito forte à Virgem que não vinha de cima, do ar, mas, das águas profundas do rio, como a comprovar que, dos elementos vem a vida e desta, mais vida, em vida e depois da vida. Na cor negra, a identificação com a massa de escravos que, então, sofria os horrores de um sistema rejeitado pelo resto do mundo, mas que, por aqui, adornava o colar de bens e de propriedades dos ricos, do clero e do império. Como nos dias de hoje, em relação à reforma agrária, naquele tempo, e em público, todos pareciam contra o sistema escravagista, na prática, porém, ninguém queria abrir mão do seu escravo, propriedade útil e dinâmica.

Pois bem, a Virgem surge como consoladora e intercessora daqueles pobres pescadores, não se sabe se eram escravos ou não, mas que tinham a missão de levar peixes para a festa de um tal Conde de Assumar, então governante da capitania de São Paulo e Minas de Ouro.

No sofrimento e na angústia dos pescadores, missionários a serviço de um Conde que alguns historiadores endeusam e outros demonizam, o sussurro da Virgem, como a dizer: “eis-me aqui, estou com vocês. Relancem suas redes”. A história relembra o Evangelho de São Lucas (Lc 5, 1-11) quando, diante de uma noite inteira de fracassos na pescaria de Simão Pedro, Jesus ordena-lhe avançar para águas mais profundas para conseguir sucesso. Pedro olha para o Mestre meio incrédulo e diz: “apesar de ter passado a noite toda aqui e de não ter conseguido nada, em respeito à tua palavra, vou fazer o que ordenas” e, lançando as redes novamente, agora, em águas mais profundas, quase não consegue chegar até à margem do rio, tamanha a quantidade de peixes apanhada.

A Virgem de Aparecida faz o mesmo, insufla no coração daqueles pescadores a decisão de lançar as redes novamente e... Peixes em abundância!

Das águas do rio, as mensagens para nós: somos todos iguais perante Deus, sem distinção de raças, de credos, de profissão ou de status social; aquele que ora com fé, é atendido sempre e em qualquer circunstância, tempo ou lugar, desde que seja para o bem, individual ou coletivo. E, por fim, é preciso sempre relançar as redes, de preferência em águas mais profundas, onde a vida é exuberante e frondosa, tal qual na própria árvore da vida.

Das águas, o batismo; das águas, a vida; das águas, as mensagens; das águas, a renovação. Estes são os grandes significados trazidos para todos nós, em outubro de 1717 pela Virgem de Aparecida e pelas mãos de Domingos Garcia, de Filipe Pedroso e de João Alves.

Aqueles pescadores trazem a voz das águas. Precisamos captá-la, entendê-la e praticá-la, sempre e em todo lugar, porque sempre somos enviados para buscar peixes para os poderosos (produção, tributação, cumprimento das leis, votos e aplausos) e, quando não obtemos sucesso, só Deus, pela intercessão da Virgem, pode vir em nosso socorro.

Mais de dois séculos depois, o Papa Pio XI proclama Nossa Senhora de Aparecida como Padroeira do Brasil em 1930 (existem divergências quanto à data exata). Padroeira deste País de tantas desigualdades, tantas indiferenças, exclusões e injustiças, mas, também, de tanta gente de fé que, de forma incessante, não deixa de rogar aos céus por sua gente e por seu povo simples, alegre, trabalhador, sofredor e humilde.

Que o Deus Todo-poderoso abençoe os nossos corações, guie os nossos passos e proteja as nossas almas contra todos os males, deixando Nossa Senhora de Aparecida, sempre ao nosso lado, como amiga, como conselheira e como excelente Padroeira. Nós precisamos dela. O Brasil, mais do que nunca, precisa dela. Tal qual os pescadores do século XVIII, façamos nossas orações. Seremos atendidos, e em abundância!

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*Luiz Antonio de Moura é um caminhante, um pensador espiritualista e um cultor do silêncio.

           

1 comentário

  1. Lindomar lemmos

    AMÉM. Ó DOCE MÃE.

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